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| ESPELUNCA - blogue de ademir assunção |
BRUTAL  Foto de Renato Parada
A peça de Mário Bortolotto estréia hoje. Com direção do próprio. Tenho acompanhado a batalha do elenco para essa montagem, desde a exposição que fizeram na galeria da Lu, há alguns meses, para arrecadar fundos. Tô curiosíssimo pra ver. No elenco, Laerte Melo, Maria Manoela, Luciana Caruso, Érika Puga, Martha Nowill, Carolina Manica e Walter "Batata" Figueiredo. Nos Parlapatões à meia-noite DON CARLACCIO E SEU NOVO LIVRO
 E amanhã tem o lançamento do novo livro do meu amigo Ricardo Carlaccio, lá no Sebo do Bac, nosso Poderoso Chefinho. Claro que estarei lá. Abaixo o texto que escrevi para a orelha: A ARTE DE ROUBAR CAVALOS NO PLAYGROUND DE DEUS Estórias de estradas com trilha sonora de Van Morrisson. Ou uma legião de perdedores que se encontram por acaso em um boteco de luzes avermelhadas e jukeboxes que tocam antigos sucessos de Belchior. Sejam eles garotos estradeiros, putas que se apaixonam por um ou outro cliente, boxeadores que perderam tudo - menos a dignidade -, ou velhos que partem para uma última visita à mulher que mais amaram em toda a vida, os personagens de Ricardo Carlaccio parecem cientes dos jogos ardilosos de Deus, mas todos tentam escapar. Seja seguindo de carona para um destino incerto ou apontando o cano do 38 para a própria cabeça, todos tentam escapar de alguma maneira. Como suas criaturas, o criador (estou falando do escritor, não de Deus) também parece desconfortável no jogo de cartas marcadas que sempre acaba com alguém estirado atrás do balcão ou, o que é pior, sugado pela máquina de moer culhões e transformar cavalos selvagens em dóceis cordeirinhos. Se os personagens destas estórias se refugiam em velhos Mavericks e aceleram cada vez mais o motor, numa epopéia sem rumo e sem volta, é na escrita que Carlaccio encontra seu refúgio. É nesta floresta de signos que ele se embrenha, punhal em punho, para tentar cortar os cordões que prendem as marionetes. Como “aquele cara que começa inocente e vai mostrando o canivete, depois o punhal e, por fim, uma metralhadora.” Dando de ombros às regras, às trapaças e ao olhar vigilante do dono da banca, Ricardo Carlaccio roubou a coroa do Rei de Copas, passou a mão na bunda da Rainha de Paus e levou a risca o conselho de Raul Seixas: “antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem que escrever o seu”. Ele já escreveu vários. E tudo indica que vai continuar escrevendo. É assim que leva seus fantasmas para um longo passeio. Nos infernos, nos inferninhos, onde os mensageiros celestiais costumam perder suas almas nas noites de sexta-feira. Ademir Assunção
Escrito por ademir assunção às 13h23
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FOI MESMO UMA CELEBRAÇÃO




Fotos da minha filha Naiara da leitura de poemas Distraídos Venceremos, ontem à noite, na abertura da exposição Paulo Leminski: 20 anos em outras esferas (pena que nem todas as imagens ficaram boas).
Um privilégio dividir o palco com Alice Ruiz, Áurea Leminski e Mário Bortolotto.
Missão cumprida. A exposição está lá, pra quem quiser ver. Fica até dia 8 de novembro.
Durante a tarde, enquanto a equipe toda checava os últimos detalhes, a Naiara também fez algumas fotos. Tem poesia de Paulo Leminski em todo canto:















Durante o mês de outubro vai rolar a peça infanto-juvenil Guerra Dentro da Gente (16 e 17), com a Companhia Trecos e Cacarecos e o show Esta Noite Vai ter Sol, com Estrela Ruiz Leminski e banda interpretando músicas e parcerias do próprio pai, com direito a participações especiais de Miriam Maria e Moraes Moreira (23) e Vitor Ramil e Edvaldo Santana (24).
Tem também a exibição do filme Belowars (31/10 e 1/11), longa-metragem de animação baseado no livro Guerra dentro da Gente, dirigido por Paulo Munhoz, que vem bater um papo com o público após a primeira exibição.

Escrito por ademir assunção às 23h50
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ESTA NOITE VAI TER SOL  Foto: Julio Covello
Desde o começo, quando tive as primeiras conversas com pessoas fundamentais nessa homenagem a Paulo Leminski, insisti que a noite de abertura seria uma grande celebração. E vai ser. Vamos celebrar a arte, o engenho, a fúria, a delicadeza, a intensidade de um cara que dedicou sua vida inteira a manter a linguagem em estado de eletricidade pura. E isso não é brincadeira. Muita gente se envolveu nessa grande aventura. Muita gente que até então não conhecia a poesia de Leminski se encantou, pirou e fez o melhor possível para que essa celebração acontecesse. Meu sincero agradecimento a equipe de técnicos do ItauCultural (instituições são feitas por pessoas) que botaram o maior gás, o maior entusiasmo pra que a poesia ocupasse as escadas de entrada, as portas de vidro, os banheiros, o teto, as paredes daquele edifício-símbolo da ciranda financeira de São Paulo. Meu enorme agradecimento à Alice Ruiz, Áurea e Estrela, que abraçaram a idéia e abriram todas as portas possíveis. Foi bonito ver ontem a tarde nos olhos da Áurea a emoção diante da obra do próprio pai. Meu agradecimento especial ao grande comparsa Miguel Paladino, com quem trabalhei tardes e madrugadas a dentro, concebendo a cenografia e as artes das plotagens. Foi um trabalho intenso, regado a boas garrafas de vinho argentino e chileno. Com o maior rigor, alegria, criatividade e competência. Hoje a noite muitos amigos estarão lá. Amigos do Paulo, vindos de Curitiba, amigos de São Paulo, amigos e admiradores. Como o planejado desde o início, esta noite vai ser uma grande celebração e eu quero que todos que admiram de verdade a poesia de Paulo Leminski venham celebrar. São meus convidados. Podem aparecer. Ninguém vai ficar de fora. Se quiserem ver a leitura de poemas Distraídos Venceremos (comigo, Áurea, Alice e Mario Bortolotto, às 20 horas) cheguem pelo menos meia hora antes. Mesmo 20 anos depois é impressionante como Paulo Leminski está vivo, vivíssimo na memória de quem o admira. E eu tenho certeza que ele estará presente nessa celebração. Eu tenho certeza que esta noite vai ter sol. Abaixo, o texto original que escrevi para a apresentação da exposição: Paulo Leminski: 20 Anos em Outras Esferas Com quantos Paulos se faz um Paulo Leminski? O poeta curitibano sempre foi um e sempre foi mil: estudioso de línguas (inglês, francês, latim, grego, japonês), compositor popular, judoca zen-budista, erudito familiarizado com a poesia clássica ocidental e com as rupturas das linguagens mais radicais, moleque culto tomado pelo espírito rebelde do verdadeiro rock’n’roll, livre-pensador cosmopolita que se auto-intitulava “A Besta dos Pinheirais”. Todos convergindo para um único centro: o de um poeta em tempo integral. Intenso, como um vendaval. O múltiplo poder transformador da arte de Paulo Leminski, quiçá, esteja espalhado em cada canto dessa exposição. Seja nos poemas selecionados em seus livros, seja nas composições individuais ou em parcerias gravadas por dezenas de intérpretes, ou nos depoimentos registrados em vídeo, nos manuscritos em papel de carta, guardanapo ou cadernos (como o emocionante “laboratório” do livro Catatau) e nos textos inéditos conservados, entre vários outros papéis, em 18 caixas plásticas - alguns deles trazidos a público pela primeira vez. Aliás, fuçar nesses arquivos que reclamam um urgente memorial à altura da obra leminskiana foi a parte mais emocionante de todo esse trabalho. Mais que isso: um privilégio. Meu mais profundo agradecimento pela confiança depositada em mim por Alice Ruiz e pelas filhas Áurea e Estrela Ruiz Leminski. A impressionante vitalidade e a desmedida paixão pela vida nos deixam a nítida sensação de que 20 anos após sua passagem “para o sonho de outras esferas”, Paulo Leminski continua mais vivo do que muitos vivos. A impressão é a de que a qualquer momento ele pode entrar pela porta bradando seus versos incendiários e nos convidar para uma nova rebelião contra a assustadora mercantilização da arte e da vida. Topa? Ademir AssunçãoCurador Consultoria Alice Ruiz Projeto cenográfico Miguel Paladino Agradecimentos A equipe do Itaú Cultural e a todos os que contribuiram para esta ocupação leminskiana, em especial a Áurea Alice Leminski, Cristina Mendes, Dico Kremer, Élson Fróes, Fabio Henriques Giorgio, João Knijnik, João Virmond, Julio Covello, Kátia Hanna, Macaxeira, Marcelo Machado, Orlando Azevedo, Paulo Munhoz, Peggy Paciornik, Renato Barbieri, Vilma Slomp e Werner Schumann.
Escrito por ademir assunção às 00h58
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