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| ESPELUNCA - blogue de ademir assunção |
BAMBU
O fotógrafo Juvenal Pereira abre uma exposição dele daqui a pouco. O tema é bambu. Faz parte da programação dos 100 anos da imigração japonesa. Ele fez um apanhado de belas fotos e me pediu para escrever um haicai. Fiz um bem simples, que foi traduzido para o japonês (ideogramas) e caligrafado pelo monge zen Kogen:
brisa nas folhas
o bambu balança
mas não cai
Escrito por ademir assunção às 13h53
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CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS NO RIO DE JANEIRO
Neste final de semana e nos próximos três, uma pequena amostra do que o Cemitério de Automóveis é capaz.
PALHAÇOS MUDOS
Genial. Não perca. A temporada prossegue na quarta e quinta que vem.
Escrito por ademir assunção às 12h52
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PECHA KUCHA
Começa hoje no ItauCultural o evento Pecha Kucha SP, organizado pelo poeta-agitador Paulo Scott. É ele quem dá a letra: "Na programação está referido o horário 18 horas, acho meio cedo para São Paulo, mas sempre há esperança de lotar a sala de 247 lugares da Avenida Paulista 149, já que o evento é gratuito e a qualidade dos participantes inspira: Andrea Del Fuego (escritora - palestra ficcional feita pelo presidente de uma indústria de cosméticos); John Howard (grafiteiro - apresentação de portfólio de imagens digitais); Roberto Keppler (artista visual - apresentação de uma série de poemas visuais); Angelo Palumbo (artista visual / VJ - apresentação de um “projeto xamânico” de VJ); Dr. Wires (personagem fictício -”aula” sobre o fenômeno da emergência); Ronaldo Bressane (escritor - leitura de um capítulo do novo livro de ficção científica + imagens); Bruna Beber (escritora - conversa sobre movimentos essenciais do dia-a-dia que são atrapalhados pela urgência das burocracias e obrigações); Edson Kumasaka & Fernanda D’umbra (fotógrafo & atriz - leituras de textos produzidos a partir de fotos); Marion Velasquez (performer - apresentação de projeto com fotografias de São Paulo feitas das janelas rabiscadas de ônibus em deslocamento); Eloar Guazzelli (desenhista de HQ - imagens de conteúdo para celulares); Cláu Martin (webdesigner - apresentação da pesquisa “Um Mito Planetário: explorando a hipermídia”); Rafael Beznos (designer / artista visual - apresentação do projeto DreamLoading); Daniela Porto (comunicadora - apresentação sobre o conceito de Moblogging); Jesus de Paula Assis (jornalista - mostra interativa de prédios antigos de SP em 3D); Christine Engelberg (designer - apresentação do projeto gráfico da revista de entretenimento japonêsa Metropolis); Kiki Jaguaribe (performer - fotos de rodas gigantes ao redor do mundo); Eva Uviedo (artista gráfica - pensata sobre “as coisas”); Ana Paula Albé (fotógrafa / videomaker - performance fotográfica / Projeto Cabine); Rúbia Paião (atriz - performance sobre as emergências no relacionamento homem/mulher); Daniel Dias (programador - “Objetos Conectados”); Paulo Scott (escritor - leitura das intervenções apresentadas nos três dias de apresentações do PKN-SP)".
Escrito por ademir assunção às 16h10
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QUE MARAVILHA!
Final da Copa de 58. Vavá, Pelé, Djalma Santos, Didi, Garrincha, dando show. Raridade. Veja aqui.
Escrito por ademir assunção às 14h26
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CARLACCIO NAS MADRUGADAS PAULISTANAS

Muitas e muitas vezes vi Ricardo Carlaccio vendendo seus livros na frente do Espaço Unibanco. Sempre pensava comigo: puxa, eu queria ter essa coragem. Não tenho. Talvez um dia, se precisar fazer isso pra garantir o leite das crianças (que já não são tão crianças assim), eu faça. Já falei pro Carlaccio: mano, qualquer noite dessas vou fazer um estágio contigo.
Sempre admirei os caras que botam seus livros debaixo do braço e vão a luta. Naquela base: se meus livros não estão nas livrarias, não tem problema, meu caminho pelo mundo eu mesmo traço. Naquele estilo Plínio Marcos, com quem trombei algumas vezes noite adentro, lá pelos anos 80.
Há os chatos. Aqueles que chegam como se a gente tivesse obrigação de levar o livro deles. Já fui meio ríspido com alguns. De repente, você não está numa noite boa e vem um pentelho com a pergunta: “Gosta de poesia?”. Ah, meu saco. “Não, odeio poesia”. Às vezes pode ser o estopim pra um bate-boca.
Carlaccio tem o jeito dele de abordar as pessoas. Um jeito meio cool. Um jeito de quem vende o resultado de seu trabalho com a maior dignidade. E tem um detalhe: ele vive disso. Ele vive literalmente da sua própria literatura. E eu tiro o chapéu pra isso.
Sábado passado ele lançou seu livro mais recente, A última ficha na jukebox. Houve uma festa no Sebo do Bac, com uma porrada de admiradores dele lendo poemas, cantando blues e festejando o novo livro. Estavam lá Marcelo Montenegro, Pierre Masato, Luana Vignon, Dany Boy, MaickNucleaR, Fernanda Dumbra, Fabi, eu, Edinho, fazendo trilhas no violão pra essa cambada toda, e um dos melhores bluseiros deste país, Paulo de Tharso (aquele que sabe que a distância entre Robert Johnson e Noel Rosa é bem menor do que se imagina), todos sob o comando do nosso querido microboss Anselmo Bactéria.
E o Carlaccio escreveu um texto bem bacana sobre a noitada. Confira aqui.
E se você encontrar Carlaccio pela noite, vendendo seus livros, trate-o com respeito. Ele merece. E os livros dele são bem legais. Ele escreve com o estampido dos gatilhos e o ruído das facas riscando o asfalto.

Escrito por ademir assunção às 13h37
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MADRUGADAS & MIRABOLÂNCIAS

Getúlio Cortes: o Negro Gato número 1
Madrugada dessas eu e Rodrigo Garcia Lopes estávamos conversando com Chico César e ele disse algo assim: “Todas as mirabolantes teorias sobre poesia contemporânea não valem uma canção de Luiz Gonzaga”. Bom, nem todas as discussões sobre poesia contemporânea são mirabolantes (Chico também sabe disso), há muitos mundos no mundo, mas entendo perfeitamente o que ele quer dizer. Fala-se muito, falsifica-se demais, e grande parte desse falatório não vale um dedinho de versos simples como os de Getúlio Cortes, cantados por Roberto Carlos, na maravilhosa fase soul:
Não vou sofrer porque não faz sentido
Nem vou viver por aí perdido
Chorando, sempre pela vida chorando
Eu quero ouvir uma palavra amiga
Preciso ouvir antes que eu siga Chamando, sempre o seu nome gritando
Escrito por ademir assunção às 13h38
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HOJE EM CURITIBA
Meu amigo-irmão Rodrigo Garcia Lopes faz um pockett-show e lança os dois novos números da Coyote, acompanhado pelos músicos Rubens K (baixo) e Marcelo Chytchy (bateria). No projeto Porão Loquax do Wonka Bar (R. Trajano Reis, 326, fone (41) 3026 6272). A partir das 23 horas.
SÁBADO EM SÃO PAULO
E no sábado que vem meu também amigo-irmão Juvenal Pereira abre a exposição fotográfica Bambu, Bambusa, Bambual na Galeria Insign.
Escrito por ademir assunção às 12h39
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SEMANA SEBASTIÃO NUNES – RIPLEI
Ou: VALE A PENA PRATICAR DE NOVO

Tudo começou com uma punheta. E tudo vai terminar com uma punheta (estou me referindo especificamente a esta Semana Sebastião Nunes, mas pode-se considerar sentidos mais amplos ou metafóricos). Como os assíduos freqüentadores desta espelunca sabem, a SSN terminou ontem; porém, relendo o Elogio da Punheta, de nosso digníssimo objeto de estudo, deparei-me novamente com tão prazeroso e genial exercício de imaginação criadora, que resolvi compartilhar com meus pares e ímpares, sejam eles do sexo masculino ou feminino.
Um breve preâmbulo se faz necessário, contudo, para que o prazer seja ainda mais intensificado. Vamos a ele, sem delongas: após prolongadas pesquisas teóricas e empíricas, Sebastião Nunes coroa sua tese de pós-doutorado com argumentos incontestáveis sobre a eficácia da punheta. Ao longo de seu arrazoado teórico, o autor demonstra, com notável rigor científico, os diversos estímulos imaginativos que podem desencadear uma punheta, as variadas posições em que o ato pode ser praticado e o infalível prazer que provoca, uma vez desencadeado. Com vasta e, como já escrevi, incontestável argumentação, conclui o autor que a punheta se constitui no mais prático e eficaz de todos os atos da imaginação criadora.
Para o prazer geral, finalizo, pois, esta Semana Sebastião Nunes, de modo definitivo, com as conclusões do importante estudo científico - muito embora nesta área do conhecimento humano, conclusões definitivas sejam praticamente inúteis, pois não se tem notícias de nenhum punheteiro convicto que tenha prometido que esta ou aquela seja a sua última punheta, como fumantes ou alcoólatras costumam prometer, ou seja: este será meu último cigarro, ou meu último trago; nem existe registro histórico dando conta de que um punheteiro, com o penduricalho na mão, coçando-o freneticamente, tenha se dependurado na janela do seu quarto e gritado para toda a vizinhança, todo o bairro, toda a cidade, todo o país e todo o universo favado de estrelas: “esta será minha última punheta”.
Concluídas as devidas preliminares, vamos aos argumentos conclusivos de Tião Nu:
“EPÍLOGO: DA SUPERIORIDADE DA PUNHETA SOBRE AS DEMAIS ARTES LIBERAIS
Como atividade individualíssima e, especialmente, como exercício solitário, a punheta possui inegável superioridade sobre qualquer outra arte liberal.
A primeira de suas vantagens é poder ser praticada a qualquer hora e em qualquer lugar, exceto em público, devido a preconceitos arraigados e de difícil extirpação. Mas esses mesmos preconceitos acrescentam um toque de exotismo e mistério à punheta, dado que cada qual bate punheta à sua maneira, raramente havendo punheta em grupo, sessões públicas de punheta ou mesmo exibições de punhetismo para grandes ou pequenos auditórios. Por outro lado, o instrumento principal da punheta é, não só portátil, como integrado ao corpo do punheteiro, de modo que não há como esquecê-lo em casa, no escritório ou no caixa do superhipermercado. Pela sua portabilidade, é muito mais fácil de usar que instrumentos de outras artes liberais, quase sempre avantajados.
Na música, por exemplo, empregam-se pianos, harpas e órgãos; violões, violinos e violoncelos; trombones, saxofones e clarinetas; bumbos, tambores e tímpanos; pandeiros, cuícas e reco-recos etc. Os únicos instrumentos que se aproximam do nosso, em tamanho e portabilidade, são a flauta doce soprano e o flautim, este aliás bem assemelhado, exceto pelos materiais de que é confeccionado, pelo brilho exagerado, e pelo som, um tanto estridente e desagradável, ao contrário da punheta, que é sempre muda como uma girafa.
Não vamos, por inútil, dissecar cada qual das demais artes liberais, bastando lembrar que todas, sem a mínima exceção, usam instrumentos exteriores ao corpo dos praticantes, o que configura defeito grave, não só estético, como também psicológico e mesmo ético, por absoluta artificialidade.
Os escritores modernos, por exemplo, usam computadores que, mesmo se portáteis, precisam de energia elétrica ou bateria, que demandam fios ou carga, tornando inúteis, em sua ausência, quaisquer esforços produtivos. Já os autores antigos, aferrados a suas velhas máquinas de escrever ou a penas de pato e ganso, afiadas com estiletes, estão em fase de extinção, e não é preciso mencioná-los. Além disso, e ainda quanto aos escritores, até que seus artefatos sejam publicados, há uma infinidade de etapas intermediárias, das quais as mais importantes são os editores, que aceitam ou recusam a obra, os revisores, que sempre fazem vista grossa para os erros mais cabeludos, além dos usufrutuários, que compram ou deixam de comprar os livros, podendo ainda ler ou não ler, mesmo tendo comprado, o que torna frustro todo o trabalho anterior. E, para nosso maior triunfo, ainda que modesto, nunca aconteceu de uma punheta ter sido recusada, mal revisada ou abandonada e entregue às traças, em prateleiras e estantes.
Teatrólogos e cineastas necessitam de aparatos complicadíssimos, que nem precisaríamos mencionar, já que todos conhecem – ou ouviram falar – câmeras, fios, gravadores, gruas, atores, atrizes, contra-regras, subdiretores e, muito especialmente, de toda a parafernália ligada à iluminação, que exige horas de montagem e teste. Isso sem falar em locação, caminhões de transporte, guarda-roupas e, ainda mais especialmente, dos produtores, que entram com a grana e reclamam todo o tempo, abjurando que, a continuar a passo de tartaruga o desenvolvimento dos trabalhos, o prejuízo é certo. Ora, jamais de ouviu dizer que punheta desse prejuízo, ou se desenvolvesse a passo de tartaruga.
E assim por diante, de modo que deixemos à imaginação criadora dos leitores a tarefa, sem dúvida agradável, de comparar a prática da punheta com a de qualquer outra das artes liberais, tão gritante é a sua, dela, punheta, superioridade.
Resta-nos, contudo, argumentar sobre a importância da solitude que cerca a punheta, tornando-a a mais completa de todas as artes, mas o faremos abreviadamente.
Tomemos, por exemplarmente, uma bela atriz, ou um belo ator, tanto faz. Como somos do gênero masculino, fiquemos com a bela atriz. Se formos diretores de teatro ou cinema, nos veremos de imediato às voltas com o estrelismo, as birras e as pirraças de nossa escolhida para o papel principal. Sem contar com ciúmes, birras e pirraças das coadjuvantes, insatisfeitas com o segundo plano. Ora, é até inútil tal aditamento, mas aditaremos que punhetas, em hipótese alguma, revelam estrelismo, ou se comprazem em birras e pirraças, sendo antes extraordinariamente cordatas e dóceis.
Voltemos aos escritores. Lá estamos nós, o Grande Escritor, diante do computador e da tela levemente azulada, puxando para o cinza. Cadê a inspiração? Em que mundos, em que estrelas se escondeu, embuçada nos céus? Horas e horas de suor e desespero, espremendo os miolos, resultam em meia dúzia de linhas mal-alinhavadas, exceto se formos, é claro, escritores de telenovelas ou livros destinados às gôndolas de superhipermercados, onde são vendidos a quilo ou a metro. Mas, ainda nesse acaso, de escritores vendidos aos inclames (nota de redação: indivíduo de classe média) e ao consumo, como se se tratasse de tomates ou berinjelas, sempre existe o esforço de escrever ao correr do teclado durante tantas e tantas horas, roubadas ao ócio em piscinas de água quente, às fotos e entrevistas. Em situações extremas, existe ainda o desagradável ato de pagar a outro autor para que nos escreva, ou copidesque, o próximo e notável bestecélere.
Retornemos pois à solitude da prática punhetística. Tudo o de que precisamos se resume no instrumento de trabalho e na imaginação criadora. O instrumento já temos, pois está à mão constantemente e em tempo integral, sempre disposto, fiel e de cara boa. Quanto à imaginação criadora, podemos utilizá-la, por exemplo, para retirar da bela atriz o estrelismo, as birras e as pirraças. Vejamos como, no próximo parágrafo.
Instalados numa das posições referidas acima (ver 4 – Das posições ecumênicas), fechamos os olhos e imaginamos. No que imaginamos, lá vem ela, a bela atriz. Está um pouco gorda? Nossa imaginação a submete a breve lipoaspiração localizada e, em segundos, ei-la enxutérrima como sempre foi. Está emburrada? Nada nos custa colar-lhe, sobre o rosto, meigo e apaixonado sorriso, que nos enche de ternura. Sofre de conjuntivite e tem um dos olhos azuis – o direito, digamos – terrivelmente congestionado? Lá está ele, o colírio de nossa imaginação criadora, que, com apenas duas gotas e em somente dois minutos, refaz-lhe a integridade azul-celeste do olho direito. Veste-se mal, como dama da alta inclamidade? Não importa. Numa fração de segundos estará semidespida, só de calcinha e sutiã, ou mesmo metida numa transparente camisola de seda esvoaçante, acessórios que, lentamente, com os dedos ágeis da imaginação, iremos sublimando de seu corpo. E, como vimos até aqui, ela nada disse, sequer se moveu. Silêncio absoluto, imobilidade total. Tudo o que fez foi ficar lá onde a pusemos desde o início. E, durante toda nossa sublime performance punhetística, nada dirá ou fará, exceto aquilo que lhe pusermos na boca, nos olhos, nas mãos e em todas as demais partes necessárias à perfeita execução da planejada punheta que, com a amável licença de leitores e leitoras, devemos agora finalizar solitariamente, na companhia de nossa bela e apaixonada atriz de olhos azuis, que nos espera sorridente, meiga e amorosa, além de totalmente semidespida.”

Escrito por ademir assunção às 09h34
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