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ESPELUNCA - blogue de ademir assunção


O BONDE DE NOVO

 

1) A matéria da Folha Ilustrada de hoje, Bonde do Barulho, provavelmente vai continuar animando rodinhas em bares, mas ela é superficial e eu sinceramente estou com preguiça de escrever sobre isso de novo. Minhas opiniões estão detalhadas em três ou quatro textos que já escrevi aqui. Continuo afirmando: se o projeto fosse bancado com dinheiro privado, tudo bem, nada a reclamar. Com dinheiro público, é um total absurdo. Esse é o ponto.

 

2) O editor que fechou a matéria não perdeu a oportunidade de destilar seu veneninho. Na legenda da minha foto (e do Mirisola também), colocou: “autor que perdeu o ‘bonde’”. Poderia ter colocado: “autor que discorda do bonde”. Não é isso o que o Manual da Folha apregoa: imparcialidade? Ah, tá, mas quem acredita em manuais? E em Papai Noel?

 

3) Entre vários reparos (se não fosse a preguiça) pelo menos um precisa ser feito: o crédito da minha foto está errado. Não é do Juvenal Pereira. É da Jacqueline Sasano.

 

4) São 13h50. Sabadão. Hora de tomar uma boa cerveja gelada.

Escrito por ademir assunção às 12h50
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QUANDO O FOGO SE ESPALHA PELO PAIOL

 

Michael McClure. O barbudo atrás é Jim Morrison.

E atrás dele a namorada Pamela. 

 

No livro A nova visão – de Blake aos beats (editora Azougue), Michael McClure escreve sobre o contexto em que ocorreu a famosa leitura na Six Gallery, São Francisco, 1955, em que o poema Uivo, de Ginsberg, chapou o público pela primeira vez:

 

O mundo daquela década, pelo qual temerosamente nos aventurávamos, era amargo e cinza. Mas São Francisco era um lugar especial. Rexroth disse que representava para as artes o que Barcelona representou para o anarquismo espanhol. Ainda assim, mesmo em São Francisco não havia jeito de escapar às pressões da cultura de guerra. Éramos presas da Guerra Fria e do primeiro embate na Ásia — a Guerra da Coréia. Minha auto-imagem naqueles anos é a de um jovem drogado, um tanto louco, precisando cortar o cabelo, num elevador lotado de brucutus com cortes à escovinha e queixos quadrados me encarando como se eu estivesse no lugar errado”.

 

“(...) Alguns de nós (independente de termos ou não medo) não nos eximíamos de falar — tínhamos que nos manifestar. Sabíamos que éramos poetas e tínhamos que falar como tais. Nós percebíamos que a arte da poesia estava praticamente morta — morta pela guerra, morta pela academia, pelo descaso, pela falta de amor e pela indiferença. E sabíamos que éramos capazes de trazê-la de volta à vida. Podíamos ver o que Pound havia feito — e Whitman, e Artaud e D. H. Lawrence em seus escritos monumentais, sejam em prosa ou poesia.

 

 

Sobre a leitura do Uivo, de Ginsberg:

 

“Pelo que lembrávamos, nunca ninguém havia ousado tanto na poesia — e havíamos atingido um ponto sem volta — e estávamos prontos para ele, para um ponto sem volta. Nenhum de nós queria voltar para o cinza, o frio, o silêncio militarizado, para o vazio intelectual, para a insipidez espiritual — a terra sem poesia. Queríamos renovar, inventar e criar o processo enquanto fazíamos. Nós queríamos voz e nós queríamos visões”.



Escrito por ademir assunção às 19h10
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CLÁSSICOS DO ANGELI 7



Escrito por ademir assunção às 18h35
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REVOLUTION? YEAH, YOU KNOW...

 

Notícia no UOL: 79% dos brasileiros não têm acesso à internet. Tô achando o número alto demais, mas é bem possível. Cambada blogueira que acha que uma revolução silenciosa está em curso: sei não. Tô lembrando a música (bonita a beça) do ministro: “Oh, mundo tão desigual / tudo é tão desigual / ô ô ô ô ô / De um lado esse carnaval / Do outro a fome total / ô ô ô ô ô”.

Escrito por ademir assunção às 18h16
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EDVALDO NA FINAL DO PRÊMIO ABC

 

O clip O Jogador, do Edvaldo Santana, com participação do Lenine, dirigido por Sérgio Logullo, foi indicado para o prêmio da Associação Brasileira de Cinematografia. Ele concorre com Mundo Livre S/A, Zé Ramalho, Nando Reis e Wanessa Camargo (!), entre outros. O resultado será anunciado amanhã, em festa na Cinemateca Brasileira.

 

 

E logo mais Edvaldo faz show no Villagio Café. No flyer está marcado às 22h, mas começa mesmo às 23h.

 


Foto: Edinho Kumasaka

Dá tempo de ver a última apresentação de Faroestes, do Mário Bortolotto/Marçal Aquino, no Centro Cultural, e depois desçer até o Bixiga. É bem perto.



Escrito por ademir assunção às 18h03
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EXPRESSO

Pessoas têm me perguntado por aí: “e então, você aceitaria ou não aceitaria?” Estou falando sobre o tal projeto Amores Expressos, que pretende mandar 16 escritores para 16 capitais internacionais do planeta.

Pra mim, não é isso o que está em discussão. Não é esse o foco. Mas, tudo bem. Vamos lá. Minha resposta.

1) Se um cara que eu não conheço me ligasse em casa e me convidasse pra passar um mês em Roma ou Nova York ou Paris, com tudo pago, pra escrever um livro pra ser publicado por uma grande editora, e ainda ganhar um bom adiantamento de direitos autorais, eu ficaria bem desconfiado. Nunca na vida me ofereceram uma boiada dessas. Pediria pelo menos um dia pra pensar, ajeitar meus compromissos por aqui, ver a melhor data e tal, e iria saber melhor sobre o tal convite, pra me certificar que não se trata de uma roubada.

2) Se um amigo (uma pessoa que eu confio) me ligasse oferecendo a mesma coisa, de bate-pronto, eu aceitaria. Óbvio. Porém, se ele me explicasse melhor do que se trata, o tamanho do projeto, de onde viria a grana, ops, eu pensaria melhor. É a minha conduta.

3) Agora, o tal convite de um amigo meu é só uma hipótese. Na verdade, acho que nenhum amigo meu faria um projeto desses. Ou, se fizesse, conseguiria a grana. Meus amigos são talentosos pra caralho, mas não são tão espertos e bem relacionados assim.

Ninguém perguntou, mas já que voltei ao assunto, vou continuar respondendo outras questões (essas sim, na minha opinião, são o que importa):

4) Se eu fosse da comissão que aprova projetos da Lei Rouanet, aprovaria um projeto desses? Não, não aprovaria. Por quê? Porque é péssimo uso do dinheiro público. Uma coisa é ganhar uma bolsa para escrever uma peça, ou um livro, ou encenar um espetáculo, com orçamento justo e honesto, por aqui mesmo. Outra coisa é passar um mês numa grande capital internacional para escrever um livro bancado com dinheiro público. Se não há diferença entre uma coisa e outra então, espera lá, estou completamente maluco.

5) Eu acho que a lei Roaunet é uma lei que permite essas aberrações. E há muitas aberrações, muito maiores que essa, inclusive. É uma lei que precisa ser revista urgentemente. Ou extinta. E criada em seu lugar um Fundo Público, com critérios e comissões de seleção transparentes. Não sei; não tenho uma posição fechada sobre a melhor solução (sobre a necessidade de transparência, sim!). Mas, pra mim, essa é a discussão.

6) Eu já escrevi aqui e reafirmo: se um projeto como esse (o Amores Expressos) fosse bancado por uma empresa privada, nada a reclamar. Aí sim, poderiam dizer que quem ficou de fora está morrendo de inveja, dor de cotovelo, fazendo vudu, etc... É dinheiro particular. Cada um gasta como quer. Sorte dos convidados.

7) Agora eu quero fazer uma pergunta: alguém aí conhece alguma empresa privada que banque um projeto desses? Com dinheiro próprio (nada de renúncia fiscal)? Conhece? Então me passe o telefone e o contato que amanhã eu estou mandando um projeto semelhante, com todos os meus amigos talentosos incluídos nele. Podem preparar as malas. Eba!



Escrito por ademir assunção às 08h51
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ANGELI É FODA



Escrito por ademir assunção às 13h09
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O ÚLTIMO SHOW

 

Em Curitiba, a Banda Beijo AA Força faz seu último show. Não sei por que estão se despedindo dos palcos. Mas se estivesse na cidade, lógico que eu iria. Só pra ouvir Idade do Ferro, do Marcos Prado. Pau na máquina aí, rapaziada.

Escrito por ademir assunção às 12h48
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ÚLTIMA CHAMADA


Foto de Edson Kumasaka

Últimas oportunidades para assistir Faroestes, hoje e amanhã, na mostra Cemitério de Automóveis 25 anos. Mário Bortolotto dirige três contos de Marçal Aquino. No elenco, um monte de atores e atrizes de primeira. E o impagável Cecato.

Centro Cultural São Paulo (Porão / Sala Ademar Guerra)

Rua Vergueiro, 1.000 (Metrô Vergueiro)

Hoje (Quinta) e Amanhã (Sexta) - 21h

Ingressos : R$ 15

Escrito por ademir assunção às 12h45
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AVISO AOS COVARDES

 

Não publico aqui comentários de covardes que não têm a coragem de se identificar. As minhas opiniões estão claras, expressas e com meu nome assinado embaixo. Pago o preço por elas e não estou nem aí. Nunca fui de puxar saco de editor, nem de diretor, nem de ninguém. Faço o meu trampo e procuro fazê-lo chegar aos leitores. Quem quiser puxar o saco de quem for, pra fazer sucesso, que puxe longe de mim.

 

E nem venham com esse papinho de aranha de chamar este ou aquele de “ressentido e amargurado”. Isso é chavão desde a Grécia Antiga e não cola mais. Não vão conseguir desarmar uma discussão que é seríssima com esses adjetivinhos babacas.

 

E se pensam que estão acabando com o meu dia, desistam. Estou com a cabeça fresca e a cerveja gelada me esperando logo mais a noite.

 

E não esqueçam de ouvir o “Blues da Piedade”, do Cazuza: “Vamos pedir piedade / Senhor, Piedade / Pra essa gente careta e covarde / (...) Lhes dê grandeza e um pouco de coragem”.

 

Tim-tim.

Escrito por ademir assunção às 16h35
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ORIGEM DA POESIA (E DE TUDO O MAIS)

 

 

“Sabemos pouco sobre a MATÉRIA — seria mais apropriado dizer “MATÉRIAS”. Uma progressão verbal pode ser proposta: CRIATURA / CÉLULA / INTERIOR DA CÉLULA / GENE / SUPERFÍCIE DO PLANETA / PLANETA / SOL E SISTEMA SOLAR / GALÁXIA / UNIVERSO / UNIVERSOS. Um único ser! É impossível imaginar que este ser seja limitado pelas regras que a nossa carne vivencia como tempo, espaço e realidade.

 

(...)

 

Os espermatozóides dançam com o óvulo dentro de um líquido, girando o óvulo com suas caudas até que uma única cápsula do espermatozóide se atrele à superfície do óvulo e lance a sua metade do material genético na metade do óvulo. Então uma confluência singular de eventos acontece — uma criatura é reunida em sua primeira formação. Com a informação genética específica, das vastas propensões de um único ser de plasma em expansão, um lobo é criado, um Mozart, um camundongo ou um pingüim.”

 

McClure, Dylan e Ginsberg

 
Não são trechos de um texto de Santo Agostinho. São de Michael McClure, um dos últimos poetas beats vivos. No livro A nova visão — de blake aos beats, coletânea de ensaios e poemas (alguns enfadonhos , alguns brilhantes) lançados por aqui pela Azougue Editorial.



Escrito por ademir assunção às 13h03
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MARCELINO AOS 40

 

Marcelino Freire fez aniversário ontem. 40 anos. E escreveu um texto muito legal, naquele estilo telegráfico dele. Parabéns, brother. Pela teimosia. Ninguém chega aos 40, em pé, sem muita teimosia.

 

O texto:

 

 

40 RAPIDINHAS AOS 40

[01] Hoje faço 40 anos.
[02] Meu pai era quem dizia.
[03] "A vida começa aos 40."
[04] "Começa a terminar."
[05] Parece ontem.
[06] 20 de março de 1967.
[07] Cidade: Sertânia, PE.
[08] Quase morri quando nasci.
[09] Deu cheia na cidade.
[10] Chuva de alagar.
[11] Último dia de Peixes.
[12] Prematuro, de 7 meses.
[13] O nono filho: o caçula.
[14] 8 homens e 1 mulher.
[15] Meu nome seria Marcelo.
[16] Até que uma vizinha batizou.
[17] Veio e me chamou: Marcelino.
[18] Por causa da película.
[19] Marcelino, Pão e Vinho.
[20] Morei em Paulo Afonso.
[21] Dos 3 aos 8, fui baiano.
[22] Aos 8, cheguei ao Recife.
[23] Aos 23, vim para São Paulo.
[24] Aos 12, meu primeiro texto.
[25] Escrito para teatro.
[26] Meu primeiro livro aos 27.
[27] Meu mais recente aos 38.
[28] Tenho 5 livros lançados.
[29] 2 romances inacabados.
[30] Uns 5 contos inéditos.
[31] Não tenho casa própria.
[32] Não sei dirigir carro.
[33] Continuo solteiro.
[34] Não tenho filhos.
[35] 16 sobrinhos.
[36] Alguns bons amigos.
[37] Vício: roer as unhas.
[38] Beber cerveja, chupar picolé.
[39] Sonho: aumentar o pênis.
[40] O meu é que não é.



Escrito por ademir assunção às 12h28
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BLOGUE JAIRO FERREIRA

 

Juliano Tosi deixou um comentário aqui na minha espelunca sobre um blogue que ele organizou com textos de (e sobre) Jairo Ferreira. Bem legal. Isso sim vale mais que prêmios póstumos: divulgar a obra do cara. Quem não conhece Jairo, ótima oportunidade. Link aqui.



Escrito por ademir assunção às 12h46
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TV CRONÓPIOS

 

Li não lembro onde que o ótimo site literário Cronópios vai também virar TV Cronópios, via internet, com estréia em abril. E vai ter programa de entrevistas com escritores. Bacana. Parabéns ao Edson Cruz e ao Pipol que fazem um trampo pra lá de decente. Quem ainda não conhece o site, link aqui.

Escrito por ademir assunção às 12h45
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ABSURDO

Me chamou atenção uma informação essencial omitida na matéria Bonde das Letras, publicada na Folha Ilustrada de sábado (que eu só li ontem, domingo, à noite): o texto diz que a Cia das Letras vai custear “em parte” o projeto de mandar 16 escritores para 16 capitais do mundo. Eles vão ficar um mês em Nova York, Cairo, Cidade do México, etc... com todas as despesas pagas. E vão ganhar adiantamento de direitos autorais. E depois a Cia das Letras vai publicar os livros que vão escrever.

Jornalisticamente, é um erro omitir “quanto” a Cia das Letras vai botar no projeto. Um erro, no mínimo.

Porque o “restante” (quanto?) será bancado com dinheiro público, via Lei Rouanet. E aí o negócio é absurdo.

(Abre parêntese: razoavelmente informado sobre as mamatas privadas com dinheiro público, e já que a matéria da Folha não informa, eu tenho mil motivos para pensar que a Cia das Letras não vai botar um tostão no projeto. Portanto: vai ser bancado inteiramente com dinheiro público. Se eu estiver errado, já abro espaço aqui nessa espelunca para que informem quanto vem de dinheiro público e quanto vem de dinheiro da Cia das Letras. Fecha parêntese)

Uma coisa é a Cia das Letras pagar com dinheiro próprio a viagem de 16 escritores pelo mundo durante um mês. Se o dinheiro é deles, eles façam o que quiserem. E convidem quem quiserem. Tudo bem. Cada um gasta seu dinheiro como quer. Não há nada a questionar. Sorte dos que foram convidados. 

Mas se é dinheiro público, o projeto é um total absurdo. Uma sacanagem.

Até seria admissível se os escritores fossem participar de feiras, seminários, leituras, o escambau. Uma viagem de 3, 4 ou 5 dias. 10 dias, vai. Divulgando a literatura brasileira no exterior. Ok.

Agora, ser patrocinado com dinheiro público para ficar um mês em Paris, Nova Iorque, Praga ou Tóquio para escrever uma história de amor... Caraco! Para depois ser publicada por uma editora comercial! E esses livros serem vendidos a preços de mercado!

Quero deixar uma coisa bem clara aqui: espero que não confundam o tal “Bonde” com as propostas de políticas públicas formuladas pelo Movimento Literatura Urgente. Nós lutamos exatamente contra esse tipo de coisa.



Escrito por ademir assunção às 15h43
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