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ESPELUNCA - blogue de ademir assunção


ESTE MÊS

 

 

Dia 14 de dezembro: lançamento da segunda edição (a primeira teve somente 500 exemplares) do meu livro Zona Branca. No Espaço dos Parlapatões. É claro que vai ter leituras, música e cerveja.

 

E no dia 16, a segunda Noite Coyote em São Caetano do Sul, com lançamento dos livros Atire no Dramaturgo (Mário Bortolotto), Brothers Cactus (contistas da Praça Roosevelt) e Zona Branca. Quem foi na primeira, sabe o que o espera. Na Associação Cultural Cidadão do Mundo. 

Escrito por ademir assunção às 13h52
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NOVO DISCO DE EDVALDO


Pra anotar na agenda: dia 8 tem o show de lançamento do novo disco de Edvaldo Santana. No Sesc Pompéia.



Escrito por ademir assunção às 13h51
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NESTE SÁBADO

 

 

 

 

 

Programa duplo na Casa das Rosas: às 18 horas, Desconcertos com Nelson de Oliveira. Em seguida (19h), lançamento do livro Visões de São Paulo. Claudinei Vieira é o idealizador dos Desconcertos e tem um conto no livro Visões.

Escrito por ademir assunção às 13h36
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PARA QUEM ESTÁ EM SÃO PAULO



Escrito por ademir assunção às 16h23
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PARA QUEM ESTÁ NO RIO DE JANEIRO

Logo mais à noite Mário Bortolotto lança Atire no Dramaturgo no Bar Belmonte Rua Jardim Botânico, 617, esquina com a Batista da Costa. É uma coletânea de textos dele, publicados ao longo dos últimos três anos no blogue homônimo. Textos com a habitual maestria e contundência de Bortolotto. Para pessoas de estômago forte e sensibilidade extremada. Começa às 8 da noite. Sem hora para acabar.



Escrito por ademir assunção às 16h16
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PARA QUEM ESTÁ EM CURITIBA



Escrito por ademir assunção às 16h10
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COMO É MESMO AQUELA HISTÓRIA: O PRIMEIRO PASSO...


Dom Bactone, fotografado por Dany Holyfield

Disseram que Dom Bactone estava tímido na entrevista que concedeu a Roberto Moreno no programa "Qual é?" Não achei não. Está muito bem. É o primeiro passo para a fama. Em pouco tempo o Padrinho vai ser mundialmente conhecido, tanto quanto Cristo, Marlon Brando e Dom Corleone, claro.

Dom Bactone é o livreiro preferido dos freqüentadores da praça Roosevelt (e de muitos não freqüentadores também). Muitos já conhecem seu famoso bordão (inclusive o diretor Zé Celso): pode abrir, folhear e ficar a vontade. Ele consegue quase todos os livros que a gente precisa e não encontra em lugar algum. Se você ainda não o conhece, clique aqui:  http://video.google.com/videoplay?docid=875921284761206526&hl=en e depois leia o texto abaixo.

Escrito por ademir assunção às 13h59
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O CAPITÃO SAIU PARA O JANTAR

E OS MARINHEIROS TOMARAM CONTA DO BAR

 


A Santíssima Trindade — Pierre El Maléfico, Deus e Dom Bactone, fotografados

por Dany Holyfield, em meio às surpreendentes confissões do Poderoso Chefinho

 

Sábado à noite, chuva forte despencando sobre São Paulo. Foco numa mesa na entrada do Teatro Sátyros 2. Aproxima mais a câmera aí, man. Isso. Em volta da mesa: Don Bactone – o Poderoso Chefinho,  Deus (sim, Deus), Pierre El Maléfico, Camila Lopes (não, não é a mexicana maluca de Arturo Bandini, mas poderia ser), Luana, a comparsa de El Maléfico e Dany Holyfield. Em pé: Demon Boy. Embaixo da mesa: Lua (minha cadela), uma mestiça shaoshao (é assim que escreve?) com não sei o quê, aparência ora de urso, ora de leoa. Uma luz na entrada no teatro filtra a fumaça azulada que sobe de uns três ou quatro cigarros. Muitas cervejas, uma taça de vinho pela metade e um copinho de cachaça sobre a mesa.

 

Quem visse de fora poderia pensar que ali estavam sendo tomadas as providências para a chegada do novo carregamento de uísque contrabandeado do Paraguai. Ou tramado um novo assalto à banco. Ou o seqüestro de um editor.

 

Nada disso: a discussão era.... bandas de rock dos anos 80. Dom Bactone, sim, ele, nosso Poderoso Chefinho, numa surpreendente confissão pública, assumiu que adorava (não sei se adora ainda) The Smiths, Depeche Mode, The Cure, Echo and the Bunnymen, Sisters of Mercy e até.... Talking Heads. Bastou Dom Bactone fazer sua confissão (Gisa, solta mais cerveja para o Poderoso Chefinho) para o incêndio se alastrar. Dany Holyfield, notória oitentista, passou a cantar músicas do The Cure e The Smiths, devidamente acompanhada por Dom Bactone, Camila Lopes e, para minha total surpresa, até por Pierre El Maléfico. Deus tentava entabular uma conversa paralela comigo falando do primeiro disco do.... Alceu Valença (que é do caralho, sim, Deus). Mas eu não conseguia parar de rir. Quando não estava rindo, memorizava as seis técnicas de meditação zen que aprendi no Mosteiro Morro da Vargem e me mantinha no mais completo silêncio. Não poderia dar bandeira da minha total ignorância. Porra, eu não lembrava de um verso sequer de nenhuma das bandas (só lembrei do refrão daquela porra daquela música do Talking Heads, ô, ô, ô, ô, aiaiaiaiai, lembra? Psico Killer, algo assim).

 

Fazia tempo que eu não via Dom Bactone tão entusiasmado. Ele lembrava nomes de bandas, cantava trechos. O entusiasmo chegou a tal ponto que — acreditem se quiser —, incentivado pela Dany Holyfield, nosso Poderoso Chefinho, sim, ele, Dom Bactone, levantou e começou a dançar aqueles indefectíveis passinhos dos anos 80 — lembram? Eu não podia acreditar no que estava vendo. Dom Bactone dava um passinho pro lado, girava, batia as mãos e cantava. E ria. Feliz da vida.

 

Mas o mais surpreendente ainda estava por vir. Dom Bactone sentou de volta, a conversa rolou ainda por Raul Seixas, Renato Russo, Beto Guedes, passou por Tim Maia e desembocou em Roberto Carlos. Camila, Pierre e Dom Bactone cantaram em coro As Curvas da Estrada de Santos. A Lua, embaixo da mesa, só ouvia. Eu também.

 

De repente, quando os ânimos serenaram um pouco e pairou um breve silêncio na mesa, Dom Bactone, com toda a sua autoridade de Poderoso Chefinho (aí, cameraman, close no Padrinho), tomou um longo gole de cerveja, acendeu um marlboro e disse com voz firme, do nada: mas o que me emociona mesmo é Fábio Jr. cantando “Pai”.

 

Eu olhei pra Lua. Ela estava olhando calmamente para a rua. Depois olhei pra Deus. Ele parecia tão perplexo quanto eu. Então, me levantei e fui ao banheiro mijar. No caminho, pensei: porra, faltou o Diniz pra cantar os 20 maiores sucessos do Biafra.

 

PS: O capitão não estava em São Paulo. Tinha viajado para Curitiba. E os marinheiros resolveram tomar o bar. Literalmente.

Escrito por ademir assunção às 13h39
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OU COMO CANTARIA ITAMAR ASSUMPÇÃO: “NÃO ADIANTA VIR ARREGANHANDO OS DENTES PARA MIM PORQUE SEI QUE ISSO NÃO É UM SORRISO”

 


Roberto Arlt


Estou trabalhando em uma antologia de textos meus publicados em diversos jornais e revistas ao longo das décadas de 80 e 90 (é, eu comecei cedo). Um deles é essa resenha sobre o livro
As Feras, do argentino Roberto Arlt, publicado no Brasil pela editora Iluminuras. O artigo saiu no Caderno 2 do Estadão, em abril de 1997. Deu vontade de republicá-lo aqui nessa espelunca. Continuo concordando 100% com Arlt.

 

 

ROBERTO ARLT VAI DIRETO AO PONTO DA DOR

 

            No curto e denso texto de apresentação do livro As Feras, do argentino Roberto Arlt (1900-42), seu conterrâneo Ricardo Piglia escreve com clareza cortante: "O maior risco que sua obra corre hoje em dia é o da canonização. Até agora, seu estilo o salvou de ir parar no museu: é difícil neutralizar essa escritura, frontalmente oposta à hipercorreção que define o estilo médio da nossa literatura."

            A provocação de Piglia tem endereço certo. Num momento em que críticos literários trazem novamente à tona intermináveis discussões sobre "o cânone literário", como se literatos fossem espécies de santos litúrgicos, nada pior para um escritor do que ser neutralizado por uma crítica papal, manipuladora e anestesiante. Mas Arlt certamente está a salvo deste castigo. Sua obra reluz mais como a de um demônio louco e implacavelmente crítico do que a de um santo.

            Os personagens que escolhe para fustigar a hipocrisia das instituições modernas são sempre seres deslocados: ora o protagonista está encarcerado em uma cela encardida, ora está morrendo em um sanatório de tuberculosos, por vezes é um cafetão vivendo entre prostitutas e ex-presidiários, por outras é um escritor fracassado, cínico e azedo como um limão. Com personagens nada exemplares, os contos do volume As Feras (editora Iluminuras) destroçam a inveja, a mediocridade e a avareza, esses sentimentos humanos tão presentes na sociedade moderna. Incrível ainda é saber que a maioria dessas narrativas foi escrita há mais de 60 anos. 

            Colocado ao lado de ninguém menos que Jorge Luis Borges, pela grandeza de sua obra, a verdade é que Arlt está mais próximo de Samuel Beckett, pelo seu humor negro e pelo estilo contundente. Sua ferocidade não poupa nenhuma das modernas formas de escravidão, especialmente aquelas mais sutis, capazes de transformar pessoas cheias de vida e inquietação em verdadeiros autômatos mortos-vivos, arrastando-se entre existências sem sentido. Uma escrita sem concessão, um osso duro de roer.

            Em duas das oito narrativas, por exemplo, é flagrada a hipocrisia do casamento. No conto "O Corcondinha", que abre o volume, o protagonista relembra, do fundo de uma cela fétida, a teia tecida pela futura sogra para atraí-lo às núpcias com a filha. Diante das pressões para apressar o casamento, o personagem sem nome expressa o estado de espírito que assumia nessas ocasiões: "Minha angústia crescia como se diante de meus olhos estivessem serrando as tábuas do ataúde."

            Apesar da atração pela noiva, sente-se deslocado dos papéis que a sociedade espera de um homem decente, especialmente a paternidade. "Há muito me dei conta de que não nasci para semelhante escravidão. Concordo que é mais provável que meu destino me leve a dormir junto aos trilhos do trem, no meio do campo verde, do que a empurrar um carrinho com toldo emborrachado, onde dorme um boneco que segundo as pessoas 'deve deixar-me orgulhoso de ser pai.'"

(continua)



Escrito por ademir assunção às 17h24
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            Em "Noite Terrível", que encerra o livro, o jovem Ricardo Stepens reflete na madrugada anterior ao casamento sobre o destino que está prestes a assumir. Não sabe se sobe ao altar ou se foge no vapor que sai logo pela manhã. Pesando cautelosamente os dois lados da moeda, relembra como a família da noiva — a mãe, o irmão e seu amigo pugilista — ardilosamente foi estendendo os cordões para transformá-lo numa pobre marionete, com táticas as mais grotescas: almoços intermináveis regados a quilos e mais quilos de capeletes, nhoques e macarronadas, além de chantagens sutis. Em seu monólogo interior, o jovem não deixa pedra sobre pedra a respeito da falência do casamento como expressão do amor entre duas pessoas.

            "Suponhamos que eu fique... que me case. Meus vinte e cinco anos logo se transformarão em cinqüenta... Passados nove meses terei um filho e passado um ano farei o mesmo que todos os homens casados: olhar para as outras mulheres e cometer minhas pequenas infidelidades... E a vida passará assim... Iremos ao cinema nos dias mais concorridos... Algumas rugas se formarão em meu rosto, o brilho que agora embeleza meus olhos desaparecerá. Paulatinamente me transformarei numa larva amarela e taciturna, num desses infelizes que tremem quando pensam que podem perder o emprego." Ao final de tudo, conclui Stepens, viverão de pesares sobre o vizinho que morreu, fofocas sobre o aborto da prima ou rogando pragas contra os destinos do País, imersos numa "pavorosa enxurrada de lugares-comuns que circulam para imbecilizar a classe média".

            Com seu estilo penetrante, como uma agulha que vai direto ao ponto de dor, Arlt desassossega a cada linha. Numa Buenos Aires subterrânea, iluminada por "luas elétricas", em cabarés marginais "onde as mulheres calçam sapatos roxos e os homens têm a cara feito um mapa de cicatrizes e navalhadas", os personagens beiram a desgraça e a podridão, mas jamais perdem seu inconfundível senso de humor, um tanto negro, é verdade. Como os tuberculosos do sanatório Santa Mônica, um "inferno com nome de santa", no qual moribundos apostam caixas de cerveja com o médico, que conseguirão sobreviver até a próxima primavera, ou os estupradores que adoram dormir com marinheiros e violentar garotinhos imberbes, sem jamais deixar de se benzer respeitosamente ao passar diante de uma igreja.

            A visão perturbadora da obra de Arlt não poupa nem mesmo o ofício do escritor. Destila cinismo como antídoto contra o cinismo do mundo moderno, como se fosse uma espécie de antecipador literário dos punks. Na narrativa “O Escritor Fracassado”, um candidato à glória e às veleidades do mundo artístico vai se tornando cada vez mais ácido ao perceber o fracasso de uma inteligência medrosa, mas sempre disposta a derramar seu fel sobre os outros. Usa as táticas mais mesquinhas para rebaixar seus pares. Passa do ataque sórdido à bajulação interesseira, chegando ao silêncio covarde, substituindo a inveja pela antipatia e a antipatia pela indiferença. "Tanto isso é verdade que troquei a indiferença de não tomar conhecimento de nada por outra um pouco mais sutil, diplomática e irônica: a de tudo elogiar."

            Seu fracasso autofágico o faz admitir, em ao menos um momento de sinceridade, que nunca seria um grande escritor, simplesmente porque, embora arrotasse arrogância e citações sempre atualizadas, o mundo das suas emoções "era estreito". Desencantado até mesmo com a confraria de amigos que se autobajulava nas páginas da imprensa, acaba por concluir que "aqueles que compunham uma bela estrofe no mais das vezes não passavam de uma latrina ambulante."

            É claro que com um estilo tão cortante e uma sensibilidade tão contemporânea, Roberto Arlt está longe dos perigos da canonização.

Escrito por ademir assunção às 17h23
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OS CAFAJESTES TAMBÉM MORREM?


Jece Valadão com Norma Bengell em Os Cafajestes, de Rui Guerra

Semana passada meu amigo Nilson Primitivo (cineasta) me falou de Jece Valadão. Ele estava fazendo o novo filme de Zé do Caixão — Encarnação do Demônio. Nilson está fazendo um documentário sobre a filmagem. Estava todo animado. Não é pra menos. Estava registrando dois mitos em cena. Estava. Ficou um. O grande cafajeste do cinema brasileiro acabou de levar um truco, um xeque-mate. Lady Death está implacável este ano. Além de grande ator, do tipo machão e canalha, o cara teve a manha de ser criado em Cachoeiro de Itapemirim (terra de Roberto Carlos e Sérgio Sampaio) e ser cunhado de Nelson Rodrigues. Vai nessa, maluco. Haverá muito tempo pra jogar cartas com o cunhado e ver do alto que os canalhas que ficaram não são tão talentosos.


Com Odete Lara em O Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos

E pra quem estiver lendo essa espelunca agora, na noite de segunda-feira, uma dica: daqui a pouco a Globo vai exibir Os Cafajestes depois da xaropada do Jô, à 1h45 da madrugada.



Escrito por ademir assunção às 22h13
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LITERATURA URGENTE E OS PRIMEIROS FRUTOS

 

Quando foi deflagrado o Movimento Literatura Urgente, há exatos dois anos (novembro 2004), não se discutia absolutamente nada de política pública para a literatura no Brasil. O Ministério da Cultura estava discutindo políticas para o cinema, a música, o teatro. No nosso caso, colocavam tudo em outro saco: o livro e a leitura. Nós batemos o pé, redigimos um manifesto (Temos Fome de Literatura), mobilizamos escritores de várias regiões do Brasil e entregamos o documento ao Ministério da Cultura. Nem precisa ficar repisando essas histórias — porque a maioria conhece de cor. No meio do caminho, tomamos porradas (a escrota matéria da VEJA ninguém esqueceu), as discussões na Câmara Setorial não avançaram muito, o movimento esfriou um pouco, mas não apagou. E agora começa a dar seus primeiros frutos.

 

1) No próximo dia 6 de dezembro a Petrobras vai publicar o primeiro edital da Bolsa Petrobras de Criação Literária. Pois todo mundo sabe que bolsas de criação literária é uma das dez propostas que constam do manifesto do Literatura Urgente. Eu me lembro que em uma das entrevistas ou artigos que escrevemos chegamos a mencionar explicitamente: por que não uma Bolsa Petrobras de Criação Literária?

 

2) A Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura vai realizar uma oficina para discutir ... políticas públicas para a literatura. Parece que o poeta Sérgio Alcides está trabalhando no Minc e chamou a discussão. A intenção é incluir essas propostas no Plano Nacional de Cultura.

 

Esses dois fatos são importantíssimos. E acho que deveriam servir de fósforo para reacendermos o movimento. Acho que a maioria sempre teve noção que as coisas não aconteceriam em um mês, nem em dois, nem em um ano. Continuo achando que o Literatura Urgente deflagrou uma discussão histórica para os escritores — e que começa a dar resultados. Precisamos ir fundo nisso. Aí, cambada que lê essa espelunca: o que vocês acham? O primeiro objetivo (chamar atenção pro assunto e elaborar propostas) nós já conseguimos. Agora é preciso participar das discussões com o MinC e divulgar o máximo possível. Marcelino, Aleixo, Claudio Daniel, Joca, Rodrigo, Tião Nunes, Paulinho Assunção, Edu, etc... que tal começarmos a bater na tecla novamente através dos blogues?

 

Como diria Itamar Assumpção: vamos nessa, vamos lá?  

 

Abaixo, a “ementa” de Sérgio Alcides propondo as discussões internas (tem que abrir, tem que ser o mais amplo possível). O poeta Sérgio Fantini foi convidado para representar o literatura urgente.



Escrito por ademir assunção às 18h07
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MINISTÉRIO DA CULTURA – MinC

SECRETARIA DE POLÍTICAS CULTURAIS – SPC

Plano Nacional de Cultura – PNC

 

Oficina sobre Produção Literária – Ementa

 

A finalidade desta oficina é levantar subsídios para a redação do Plano Nacional de Cultura (PNC) – documento que pretende traçar as linhas gerais de uma política cultural para o Brasil, descrevendo conceitos e diagnósticos sobre setores específicos e lançando diretrizes que permitam superar problemas e abrir novos horizontes.

 

            Muitas políticas públicas têm sido desenvolvidas nos últimos anos no sentido de favorecer o acesso ao livro, estimular a leitura e promover a imagem da literatura brasileira dentro e fora do país. No entanto, pouco tem sido feito e pensado a respeito de um aspecto crucial ligado a todas essas outras atividades: a criação literária.

 

            Geralmente, parece mais evidente o papel do Poder Público no fomento à atividade de diretores de teatro, cineastas, compositores e artistas plásticos. Mas os escritores, por outro lado, têm menos opções de financiamento para o seu trabalho. Isso os expõe particularmente ou a uma situação de relativa marginalidade ou a uma estrita dependência de fatores de ordem mais comercial do que propriamente literária.

 

            A fim de buscar alternativas, a equipe do PNC decidiu organizar esta oficina – uma jornada de debates entre pessoas que de algum modo se relacionam com o tema e podem trazer contribuições efetivas, seja pelas suas experiências, seja pelos seus conhecimentos, seja pelas suas idéias.

 

            Esta ementa pretende apontar alguns temas e formular algumas questões que possam orientar e suscitar o debate. Mas ela é apenas a “pauta” para um começo de conversa: não deve ser vista de jeito nenhum como restritiva.

 

(continua)



Escrito por ademir assunção às 18h06
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Objetivos

 

 

 Levantar subsídios para que o PNC possa contemplar a área de maneira mais extensiva. Pôr em discussão diferentes visões sobre o papel do Estado e do Poder Público no setor, a fim de trazer à tona as divergências e assim aproveitá-las de maneira produtiva. Colher a avaliação dos convidados acerca de propostas recentes. Buscar a formulação de diretrizes objetivas.

 

Pauta de questões

 

 

(1) O Estado e o Poder Público têm algum papel a desempenhar no estímulo à criação literária? Qual seria?

 

(2) A existência de programas de apoio ou subsídio seria favorável ou desfavorável à atividade do escritor? Em que casos?

 

(3) Tais programas seriam mais necessários em certas áreas da criação literária – como a poesia, por exemplo? Ou eles devem ser formulados independentemente de gêneros?

 

(4) Como evitar que a participação em programas públicos comprometa a independência, o poder de crítica ou a radicalidade de um escritor?

 

(5) Existe de fato, entre os escritores brasileiros, uma demanda por esse tipo de estímulo? Em que contextos?

 

(6) Quais são, atualmente, as condições de trabalho do escritor, no Brasil? Que problemas lhes parecem mais inquietantes?

 

(7) Quais são as alternativas disponíveis, governamentais ou não, para o estímulo à criação literária no Brasil?

 

(8) Qual tem sido a experiência de outros países, nesse campo? Que programas foram bem-sucedidos, ao que se saiba?

 

(9) Que critérios devem orientar a formulação de políticas de incentivo à criação literária? Como avaliar a eficácia de um programa público nessa área?

 

(10) Que tipos de intervenção pública seriam estrategicamente mais recomendáveis? O apoio à primeira obra? O estímulo à continuidade? Dar independência aos consagrados?

 

(11) Prêmios? Bolsas? Programas de residência? Qual é a especificidade de cada uma dessas opções? Que efeitos podem ter e têm tido? Como organizá-los?

 

(12) O incentivo deve sempre incidir diretamente sobre a escrita? Ou pode ter um foco alternativo, como a compra de livros, as isenções fiscais, os intercâmbios, as palestras?

 

(continua)



Escrito por ademir assunção às 18h05
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Dinâmica

 

 

Teremos uma sessão pela manhã e outra à tarde, com um mediador. Cada participante poderá fazer uma exposição de suas experiências, conhecimentos e idéias – conforme a pauta acima ou, se preferir, extrapolando-a. Em seguida a cada rodada de quatro participações, fica aberto o debate para todos os convidados. A organização, no entanto, aceita sugestões de dinâmicas alternativas.

 

 

 

Convidados

 

 

Augusto Massi: poeta e crítico literário; professor da USP; editor da Cosac Naify; criador da coleção Claro Enigma.

 

Fabio Weintraub: poeta; vencedor do Prêmio Casa de las Américas e do Prêmio Cidade de Juiz de Fora; editor da SM Edições.

 

Francisco Foot Hardman: historiador e crítico literário; professor da Unicamp.

 

Gina Guelman Gomes Machado: consultora cultural; foi gerente de projetos da Fundação Vitae.

 

Guiomar de Grammont: prosadora; vencedora do Prêmio Casa de las Américas; professora da UFOP-MG; criadora e organizadora do Fórum das Letras de Ouro Preto.

 

José Almino de Alencar: poeta e prosador; presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa.

 

Paulo Bentancur: poeta, prosador, crítico literário e autor infanto-juvenil; editor da Bertrand Brasil.

 

Sérgio Fantini: poeta e prosador; integrande do Movimento Literatura Urgente e signatário do manifesto “Temos Fome de Literatura”.

 

  

Brasília, novembro de 2006.



Escrito por ademir assunção às 18h04
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FAUSTO FAWCETT E CHACAL

 

 

Nesta terça-feira (28) tem o último round do projeto Na Ponta da Língua. Dessa vez serão Fausto Fawcett e Chacal. Primeiro, tem o bate-papo entre os dois, mediado por Marcelo Montenegro. Fausto fala sobre a literatura presente na sua música. Chacal fala sobre a influência da música na sua poesia. Depois, sobe ao palco para apresentar o espetáculo Irmãos Abdalla, acompanhado por Mimi Lessa (guitarra) e Flávia Couri (baixo). Nem precisa dizer que é imperdível. Precisa?

 

Aliás, espero que esse não seja o “último” round do projeto. Espero que ele prossiga no ano que vem. Vamos batalhar pra que isso aconteça, Sandro? O projeto está indo bem e está formando público para uma poesia que tem asas e voa alto.

 

 

NA PONTA DA LÍNGUA

FAUSTO FAWCETT E CHACAL

SESC VILA MARIANA – AUDITÓRIO

RUA PELOTAS, 141 – METRÔ ANA ROSA

TERÇA, 28 – 20H30

INGRESSOS – R$ 6 E R$ 3



Escrito por ademir assunção às 13h52
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