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ESPELUNCA - blogue de ademir assunção


O FURACÃO RODRIGO EM SÃO PAULO
(antes de voltar para os Estados Unidos)

Quem ainda não conhece a poesia de Rodrigo Garcia Lopes precisa conhecer. Uma boa oportunidade nesse domingão (13/08): o próprio estará na Casa das Rosas, a partir das 18 horas, lendo poemas dele e traduções (dele também) de Paul Auster, Walt Whitman, Apollinaire e Sylvia Plath. É claro que eu vou lá. Na segunda-feira, Rodrigo embarca para os Estados Unidos. Volta para Chapell Hill, onde está dando aulas na universidade local.

A Casa das Rosas (se é que alguém ainda não sabe) fica na Av. Paulista, 37.



Escrito por ademir assunção às 20h49
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MÁQUINA PELUDA ENTRE OS REBELDES

 

 

 

Neste sábado (12/08) eu participo do ciclo Rebeldes e Malditos, em São Bernardo. Quem estiver afim de adquirir um dos últimos exemplares da Máquina Peluda, aproveite. Vai ter. Confira horário, local e o restante da programação:

 

LABIRINTOS DA ESCRITA (POÉTICA, REVISTA E RESISTÊNCIA)

12/08 – SÁBADO - 15:00h

Os poetas e editores Claudio Daniel (Zunái), Ademir Assunção (Coyote), Eduardo Lacerda e Andréa Catrópa (Casulo) vão discutir a poética e publicações que buscam a arte como alternativa ao mercado.

ESPAÇO TROCA-LIVRO (São Bernardo do Campo)

 

NAVALHA NA CARNE / PIVA NA VEIA

12/08 – SÁBADO - 20:00h

Leitura dramática do texto de Plínio Marcos e poemas de Roberto Piva

com os atores Mônica Rodrigues, Tio Santos e Alberto Chagas.

CASA DA PALAVRA (Santo André)

 

 

ENDEREÇOS:

CASA DA PALAVRA: PRAÇA DO CARMO, 171 – CENTRO
SANTO ANDRÉ. FONE: 4992-7218

ESPAÇO TROCA-LIVRO: RUA WALLACE SIMONSES, 188 – BAIRRO NOVA PETRÓPOLIS / SÃO BERNARDO DO CAMPO. FONE: 4336-7771



Escrito por ademir assunção às 20h36
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CÉU SEM DONO E MÚSICA POSSÍVEL

Eu gosto da poesia de Zhô Bertolini. E dele também. É um sujeito desencanado. Sua poesia também. Com 53 anos de idade, continua tocando a vida e escrevendo poesia. Há mais de 20 edita a revista Cigarra, com Jurema Barreto de Souza. É um cara apaixonado pelo que faz. Sempre que encontro com ele (e Jurema — os dois vivem grudados, uma amizade bacana pra caramba) rolam ótimos papos. E hoje Zhô está lançando livro novo: Céu sem dono. São 100 tercetos (ele não chama de haicais). Aliás, vai ser um lançamento duplo: outro amigo, ótimo papo, Fabiano Calixto autografa Música Possível. Vai ser na Livraria Alpharrabio, em Santo André: Rua Eduardo Monteiro, 151 - Tel: (11) 4438.4358. Se eu morasse no ABC certamente baixaria lá. E fique com alguns tercetos de Zhô:

 

plena sintonia
era quando o galo
despertava o dia

 

 

raro cristal
pingo de chuva
caído no quintal



me deixa puto
quando a vida
me obriga ao luto


 

vida cigana
após o despejo
mora numa cabana



na próxima parada
desço do tempo
sem hora marcada

 

 

 

com cara e coragem
deu tudo o que tinha
estava só de passagem


no mato sem cachorro
desistiu da vida
sem pedir socorro



 

dia de inverno
solitário e intenso
parece eterno


pique de fé
santo de casa
não é zé mané

 

 

 

falta de sorte
descobriu a vida
depois da morte



Escrito por ademir assunção às 13h11
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COYOTE NO DIGESTIVO

 

 

A repórter Marília Almeida tentou me entrevistar depois da Noyte Coyote, em São Caetano. Não lembro muito bem o que falei. Eu estava feliz e bebaço. Lembro apenas de uma frase: “Literatura? Eu quero que a literatura se foda. O que interessa é trepar. Escrever vem depois”. Mas a repórter insistiu. Me mandou um email no dia seguinte, dizendo que não poderia aproveitar a entrevista e fazendo as perguntas novamente. Gostei disso. Teimosia, já disse várias vezes, é qualidade indispensável para o artista, especialmente o brasileiro. Para o jornalista também. Marília aproveitou parte da entrevista no site artecidadania (veja nota abaixo). E publicou uma das minhas declarações, sobre o lançamento da revista Coyote, no Digestivo Cultural:

  

"Por que a comemoração após quatro anos de vida (da revista Coyote)? Há sempre que se comemorar a teimosia e a insistência de uma revista literária, num país em que a maioria das publicações não passa do segundo ou do terceiro número. Acho que contribuímos com a formação de jovens autores publicando textos radicais, com uma abordagem radical, do Brasil e de outros países. E abrindo espaço para autores que ainda não alcançaram repercussão com seu trabalho. Mas não estamos muito preocupados com a "formação" de jovens autores. Estamos preocupados em fazer uma revista que gostaríamos de ler. Acho que é essa a razão do sucesso da Coyote. Porque há mais pessoas que gostam de ler os autores que publicamos. Costumo dizer que a Coyote é uma revista autoral. Os editores funcionam como maestros, regendo uma orquestra de autores e textos que consideramos importantes dar voz e vez."

Ademir Assunção, escritor e editor da revista de poesias Coyote, após uma noitada no ABC regada a álcool, música e muita, mas muita, poesia.



Escrito por ademir assunção às 18h55
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CURSO DE FORMAÇÃO DE ESCRITORES?

 

Eu não sabia: o poeta Fabrício Carpinejar é coordenador de um curso de Formação de Escritores no Rio Grande do Sul. Um curso universitário. Repito: para formar escritores. Soube através de uma matéria no site artecidadania. Soube porque a repórter Marília Almeida me entrevistou para a matéria. Eu acho uma bobagem escritores que acham que não precisam estudar (não estou falando de estudo formal, acadêmico). Agora, acreditar que um curso universitário possa “formar” um escritor, nem fodendo.

 

"Se os ‘professores’ forem bons escritores, acho que os ‘alunos’ podem aprender alguma coisa. Mas acho que vão aprender algo de verdade lendo o que outros escritores escreveram. E vivendo no fio da navalha". (...) “Literatura não é apenas técnica. Se a pessoa não tem o que dizer, não há técnica nesse mundo que vai salvá-la." (...)"Desconfio um pouco de "escritores profissionais". Arte é risco, ‘uma aventura rumo ao desconhecido’, como disse  Maiakovski" — essas foram algumas coisas que respondi à repórter.

 

Agora, me espantou uma das opiniões do poeta Fabrício Carpinejar. "Há uma idealização romântica que apenas distancia e isola as pessoas da sua arte e do convívio. A universidade qualificará autores. A iniciativa quebra alguns tabus intelectuais, ensinando o best-seller e dando espaço para o livro didático."

 

Como é que é? Um curso que ensinará, entre outras coisas, a escrever best-sellers?

 

Vou tomar uma cerveja e volto depois das três da manhã...

 

Quem quiser ler a matéria, clique aqui.

Escrito por ademir assunção às 18h43
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CINEASTAS ISRAELENSES CONTRA A GUERRA

 

Cineastas israelenses (repare bem: israelenses) divulgaram uma carta no final do mês passado condenando o massacre de Israel no Líbano e na Palestina. O texto foi lido na abertura da Bienal do Filme Árabe em Paris. Como não vi em nenhum jornal daqui, segue o texto:


”Carta aos cineastas palestinos e libaneses para ser lida na abertura da Bienal do filme árabe em Paris neste 22 de julho passado.”

Nós, cineastas israelenses, saudamos os cineastas árabes que se encontram em Paris para a Bienal do Filme Árabe. Através de vocês, desejamos transmitir uma mensagem de companheirismo e solidariedade aos nossos colegas libaneses e palestinos que estão sendo encurralados e bombardeados pelo exército de nosso país.
 
Somos inequivocamente contra brutalidade e crueldade da política israelense, que atingiu novos extremos nestas últimas semanas. Nada justifica a ocupação continuada, o bloqueio e a opressão da Palestina. Nada justifica o bombardeio de civis e a destruição das infra-estruturas do Líbano e de Gaza.
 
Consideramos extremamente importantes os seus filmes, os quais procuramos ver e fazer circular entre nós. Eles nos permitem melhor conhecer e compreender vocês. Graças a esses filmes, os homens, as mulheres e crianças que sofrem em Gaza, Beirute - e em todos os outros lugares onde nossos exércitos vêm exercendo sua violência - passaram a ter rostos e nomes. Gostaríamos de lhes agradecer e de encorajá-los a continuar filmando apesar das dificuldades.
 
De nossa parte, através de nossos filmes, protestando em voz alta, em nossas ações pessoais, continuaremos a expressar nossa veemente oposição à ocupação e nosso desejo de liberdade, justiça e igualdade para todos os povos da região.”
 
Nurith Aviv / Ilil Alexander / Adi Arbel / Yael Bartana / PhilippeBellaiche / Simone Bitton / Michale Boganim / Amit Breuer / ShaiCarmeli-Pollack / Sami S. Chetrit / Danae Elon / Anat Even / JackFaber / Avner Fainguelernt / Ari Folman / Gali Gold / BZ Goldberg / Sharon Hamou / Amir Harel / Avraham Heffner / Rachel Leah Jones /Dalia Karpel / Avi Kleinberger / Elonor Kowarsky / Edna Kowarsky /Philippa Kowarsky / Ram Loevi / Avi Mograbi / Jud Neeman / David Ofek / Iris Rubin / Abraham Segal / Nurith Shareth / Julie Shlez / Eyal Sivan / Yael Shavit / Eran Torbiner / Osnat Trabelsi / Daniel Waxman / Keren Yedaya



Escrito por ademir assunção às 13h00
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CUBA

 

Mais de 400 artistas e intelectuais de várias países (inclusive dos EUA) divulgaram essa semana um manifesto exigindo que os Estados Unidos respeitem a soberania de Cuba. Entre os que assinaram estão Chico Buarque, Oscar Niemayer, Eduardo Galeano, José Saramago, Mario Benedetti, Noam Chomsky, Dario Fo, Harry Belafonte, Juan Gelman, Manu Chao, Egberto Gismonti, Eugenio Barba, Amiri Baraka, Ferreira Gullar e Alex Cox. Há motivos de sobra para todos ficarem de olho em Mister Bushinho e sua fiel escudeira Condoleezza Rice. Mais informações: http://www.porcuba.org/

Escrito por ademir assunção às 12h52
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FIM DO JABÁ

 

Está rolando no Rio de Janeiro um movimento de artistas contra o jabá nas rádios. Quem não sabe, jabá é a grana que as gravadoras pagam para tocar determinadas músicas (e não outras). O movimento tem um nome bem apropriado: Jabásta. Tem um projeto de lei rolando na Assembléia Legislativa do Rio  que transforma em crime a prática do jabá. Quem quiser mais informações, aqui: http://movimentopelofimdojaba.blogspot.com/

Escrito por ademir assunção às 12h27
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JABUTI VOA?

 

Leminski, em vida, nunca ganhou um Jabuti. Faturou,

depois de morto, um prêmio de melhor livro de poesia com

um livro que não é de poesia: "Metaformose", se não me

falha a memória

 

Marcelino Freire faturou o Jabuti de melhor livro de contos com Contos Negreiros. Parabéns, maluco. Parabéns, mesmo.

 

Rodrigo Garcia Lopes não faturou nada com sua extraordinária tradução das Folhas de Relva, de Walt Whitman. Parabéns também, maluco. Parabéns pelo trabalho árduo (do qual sou testemunha).

 

Sem desmerecer a premiação de ninguém, numa boa mesma, sempre achei que o Jabuti é um jogo de cartas marcadíssimas — de vez em quando eles deixam passar alguém fora do esquadro para não dar muita bandeira. E qual é o esquadro? Vejamos: dos 22 premiados, 15 são de grandes editoras (Companhia das Letras, Record, Rocco, Bertrand Brasil, Agir, Globo, Objetiva). Pequenas, apenas duas: 7Letras e Ateliê. Médias, mais duas: 34 Letras e Geração Editorial. O prêmio é dado pela Câmara Brasileira do Livro, notoriamente sustentada pelas grandes editoras. Alguma coincidência nisso ou, realmente, critérios literários? Podem argumentar: bem, as grandes editoras possuem um volume editorial muito maior que as pequenas e médias. Verdade. Mas alguém poderia me explicar por que Paulo Leminski, em vida, jamais ganhou um Jabuti de poesia, ou prosa? Augusto de Campos, idem (se ganhou, não me lembro). Roberto Piva, muito menos.

 

E eu sei que não deveria estar aqui queimando meu filme. Mas é essa minha eterna incapacidade de manter o bico fechado.

Escrito por ademir assunção às 12h22
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REBELDIA NO ABC

 

 

Prossegue o ciclo Rebeldes e Malditos. Quinta-feira tem Claudio Willer e Roberto Piva em Santo André. Imperdível. E no sábado estarei em São Bernardo, com Claudio Daniel, Eduardo Lacerda e Andréa Catrópa. Se liga:

 

TRADIÇÃO REBELDE

09/08 – QUARTA - 19:30h.

O projeto moderno, a liberdade e a subversão filosófica na literatura e na arte

com o filósofo Marcelo Carvalho e a prof. Sônia Galvão Gatto (Letras - FASB).

CASA DA PALAVRA (Santo André)

 

PROVOCAÇÕES E PARANÓIAS

10/08 – QUINTA -19:30h

Com os poetas Roberto Piva e Cláudio Willer.

CASA DA PALAVRA (Santo André)

 

POR QUE SÓCRATES NÃO FICAVA BÊBADO?

A ESTRADA DO EXCESSO: DROGAS, POESIA E PROSA

11/08 – SEXTA -19:30h

Com o filósofo Gabriele Corneli e a poeta e médica Virna Teixeira.

CASA DA PALAVRA (Santo André)

 

LABIRINTOS DA ESCRITA (POÉTICA, REVISTA E RESISTÊNCIA)

12/08 – SÁBADO - 15:00h

Os poetas e editores Claudio Daniel (Zunái), Ademir Assunção (Coyote), Eduardo Lacerda e Andréa Catrópa (Casulo) vão discutir a poética e publicações que buscam a arte como alternativa ao mercado.

ESPAÇO TROCA-LIVRO (São Bernardo do Campo)

 

NAVALHA NA CARNE / PIVA NA VEIA

12/08 – SÁBADO - 20:00h

Leitura dramática do texto de Plínio Marcos e poemas de Roberto Piva

com os atores Mônica Rodrigues, Tio Santos e Alberto Chagas.

CASA DA PALAVRA (Santo André)

 

 

ENDEREÇOS:

CASA DA PALAVRA: PRAÇA DO CARMO, 171 – CENTRO
SANTO ANDRÉ. FONE: 4992-7218

ESPAÇO TROCA-LIVRO: RUA WALLACE SIMONSES, 188 – BAIRRO NOVA PETRÓPOLIS / SÃO BERNARDO DO CAMPO. FONE: 4336-7771



Escrito por ademir assunção às 19h39
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MISTO QUENTE - DOIS FRAGMENTOS

 

 

 

“Podia ver a estrada à minha frente. Eu era pobre e ficaria pobre. Mas eu não queria particularmente dinheiro. Eu sequer sabia o que desejava. Sim, eu sabia. Queria algum lugar para me esconder, um lugar em que ninguém tivesse que fazer nada. O pensamento de ser alguém na vida não apenas me apavorava mas também me deixava enojado. Pensar em ser um advogado ou um professor ou um engenheiro, qualquer coisa desse tipo, parecia-me impossível. Casar, ter filhos, ficar preso a uma estrutura familiar. Ir e retornar de um local de trabalho todos os dias. Era impossível. Fazer coisas, coisas simples, participar de piqueniques em família, festas de Natal, 4 de Julho, Dia do Trabalho, Dia das Mães... afinal, é para isso que nasce um homem, para enfrentar essas coisas até o dia de sua morte? Preferia ser um lavador de pratos, retornar para a solidão de um cubículo e beber até dormir.”

 

“Um dia, depois da aula de Inglês, a sra. Curtis pediu para eu ficar mais um pouco. Ela possuía pernas espetaculares e a língua presa, e havia algo nessa combinação de pernas e língua presa que me enchia de tesão. Devia ter uns 32 anos, era culta e tinha classe; mas, como a maioria das pessoas, era uma maldita liberal e para isso não precisava ser original ou combativa, precisava apenas ser devota de Franky Roosevelt. Eu gostava de Franky por causa dos seus programas para os pobres durante a Depressão. Ele também tinha estilo. Não creio que ele desse a mínima para os pobres, mas era um grande ator, e que voz!, além de ter um ótimo redator de discursos. Entretanto, queria que fôssemos à guerra. Isto o colocaria nos livros de História. Presidentes em período de guerra tinham mais poder e, mais tarde, mais páginas nos manuais. A sra. Curtis não passava de uma versão barata do velho Franky, mas tinha a seu favor um par de pernas muito melhor.”

 

Charles Bukowski

Escrito por ademir assunção às 10h41
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COYOTE EM REVISTA

Coyote, editada por Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes, brilha, principalmente, pela revelação de escritores — nacionais e estrangeiros — de alta qualidade, mas de que ninguém antes tinha ouvido falar. O que não é pouco. Afinal, acredito, esta é uma das mais importantes, se não a principal, função de uma revista de cultura. Como aquela, dos anos 60, que foi fundamental para minha formação.”

Trecho do artigo Cultura em Revista, de Marco Polo Guimarães, editor da revista Continente Multicultural (do Recife), publicado na revista E, do Sesc São Paulo, deste mês. No artigo, Marco Polo faz referências também a outras revistas literárias como Entrelivros, Inimigo Rumor, Etcetera, Sibila e à própria Continente Multicultural. A revista dos anos 60 a que se refere é a Cadernos Brasileiros, que era editada por Ênio Silveira.



Escrito por ademir assunção às 23h37
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MÚLTIPLO

 

Hoje tem lançamento múltiplo no Bar Balcão: Revista Inimigo Rumor 18, Revista Ficções [especial Ficção Científica], O roubo do silêncio, de Marcos Siscar, Poemas [1975-2005], de Júlio Castañon Guimarães, Música possível, de Fabiano Calixto, Outro, de Jorge Viveiros de Castro, Azul, de Eduardo Pires de Camargo, Ensaio do vazio, de Carlos Henrique Schroeder, Uma ou outra forma de tirania, de Marcus Vinícius Ferreira de Oliveira, Ovelha negra e amiga loura, de Sonia Coutinho, A geração que esbanjou seus poetas, de Roman Jakobson. A partir das 20h. O Balcão fica na Rua Melo Alves, 150. Fone 3063-6091.

Escrito por ademir assunção às 15h12
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A JAM INESQUECÍVEL

 


Mário Bortolotto (sentado), Fábio Brum, Paulo de Tharso, eu, Maurício (no baixo, ao fundo), Jamila (ambos da banda Mahalab), Neuza Pinheiro, Paulão Velhas Virgens, Renato Gama e Edvaldo Santana. O final apoteótico e inesquecível da Noyte Coyote, clicado por Edinho Kumasaka. Repare no tênis invocado do Edvaldo.

Escrito por ademir assunção às 15h08
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FOI UMA NOITADA EXCELENTE


Paulo "Picanha" de Tharso e Paulão Velhas Virgens, após
o "Encontro Anual dos Hooligans Poets"

Paulo “Picanha” de Tharso não parava de falar no banco de trás do carro. “A lua vai cair um dia. A lua vai cair e se espatifar no asfalto”.

“Tá bom, Paulão. A lua vai cair mas não vai ser nesta noite”, eu respondia, calmamente.

Vitor no banco ao lado não falava um a. Paulo estava com a pilha ligada. “A água de Paris é intragável. Os nazistas foderam com a água de Paris na Segunda Guerra”. 

“Caralho, Paulão, eu preciso prestar atenção no caminho. Pára de falar um pouco”.

Eu estava conduzindo um comboio de mais três carros, além do meu. E não sabia direito o caminho para chegar no Espaço Cultural Cidadão do Mundo, onde faríamos a Noyte Coyote.

“Tá bom, tá bom”. Paulo de Tharso conseguia ficar uns 10 segundos em silêncio. E logo voltava a metralhar meus ouvidos e os do Vitor, que continuava mudo e imóvel, como um monge zen.

No comboio, atrás do meu carro, uma horda de bárbaros, talentosos e divertidos: Marião Bortolotto, Paulão “Velhas Virgens”, Pierre Porpeta, Fábio Brum, Márcio Vaccari e os não tão bárbaros assim (pelo menos no sentido que estou dizendo) mas não menos talentosos, Edu Rodrigues, Dani e Marisa. Não sei se estou esquecendo alguém.

Mesmo com a incessante metralhadora giratória do Picanha repicando no meu ouvido, consegui chegar de prima, sem errar o caminho, e sem nenhum dos carros se desgarrar do comboio.

Quando os carros encostaram e começaram a despejar na porta do Cidadão do Mundo aquela horda de malucos, pensei: “Bom, vai começar de fato o encontro anual dos Hooligans Poets”. Quem já esteve em alguma das noitadas de poesia e música que a gente organizava no Finnegans Pub sabe do que estou falando.

E foi um encontro memorável. O lugar chapou de gente. Mais de duas horas de poesia e música. Num bar, não numa sala fechada de uma biblioteca ou de uma universidade. Pessoas enchendo a cara e ouvindo poesia e música. Às 11 da noite, meia-noite, uma hora da manhã. Qualquer um sabe que não é fácil segurar a atenção de uma cambada inquieta, bebendo, num lugar assim. E a gente segurou.

E foi divertido pra caralho.

Eu gosto disso. Gosto de agregar pessoas. Gosto de juntar uma cambada de bárbaros talentosos para mostrar o que estão fazendo. E o que eles fazem é de altíssimo nível.

Zhô Bertolini, Marcelo Montenegro, Paulo de Tharso, Dani Angelotti, Marisa Lobo, Eduardo Rodrigues, Fábio Brum, Neuza Pinheiro, Mário Bortolotto, Renato Gama e Edvaldo Santana mandaram bem pra caramba, como sempre. O público uivou. Como uma boa matilha de Coyotes.

E tenho consciência que a maioria das pessoas que estavam na platéia não teria o menor saco de assistir a um “sarau” de poesia.

E teve momentos impagáveis. Eduardo Rodrigues encarou o palco pela primeira vez. Tremia como uma vara verde. Mas arrancou gargalhadas do público, com sua história maluca de um líder estudantil virgem tentando comer uma militante maoísta. Um conto engraçadíssimo, lido, repito, à meia-noite, num bar lotado de bebuns.

Agora, o impagável foi o final. Uma jam-session inacreditável. Um momento raríssimo e irrepetível: Edvaldo, Renato Gama, Neuza Pinheiro, a banda Mahalab, Fábio Brum, Paulo de Tharso, eu, Paulão Velhas Virgens, Mário Bortolotto. Todos se espremendo naquele palco minúsculo. De improviso, sem ensaio nenhum, puxando o maior som.

Quem esteve lá, pode ter certeza: nunca mais vocês verão Paulão Velhas Virgens e Mário Bortolotto cantando “Eu só quero um amooooorrrrrrrrrrr, que acabe o meu sofreeeeeerrrrrrrr, um xodó, pra mim, com seu jeito assim, que alegre o meu viver”.

Acredite, isso aconteceu.

PS: Há algum tempo venho pensando em tornar permanente um evento de leitura de poesia, prosa, esquete teatral e música. Uma Noyte Coyote mensal. Ou a cada dois meses. Nada acadêmico. Do nosso jeito.



Escrito por ademir assunção às 00h17
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