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ESPELUNCA - blogue de ademir assunção


A VEZ DA FLAP

 

Neste sábado (16 de julho) estarei na FLAP – um dia inteiro de literatura. A feira é organizada por alunos de Direito da USP e pela revista Metamorfose, da Letras. É uma “contraproposta” à FLIP. O release do evento diz assim: “Além de custos altos, a FLIP tem foco sensacionalista em autores de best-sellers e estrelas de televisão: traz Michael Ondaatje, autor de “O Paciente Inglês” e também Salmand Rushdie, “Versos Satânicos”, além de Jô Soares e Arnaldo Jabor - programação que ofende grande parte do público que gosta ou vive de literatura.”

 

Vai ser no Teatro dos Sátyros (Praça Roosevelt – Centrão de São Paulo). Eu vou participar de uma mesa-redonda às 16 horas. Quem ainda não tem meu CD Rebelião na Zona Fantasma, pode aproveitar: vai estar a venda. Vários outros escritores e poetas vão participar do evento, que começa às 10 horas segue pelo dia inteiro. Confira a programação abaixo:

 

 

PROGRAMAÇÃO:

Data: 16 de julho, sábado

Horário: das 9:30 às 18:30h

Local: Espaço dos Satyros

Pça. Roosevelt, 214, São Paulo. Tel.: (11) 3258.6345

 

9:30h – Inscrições

(continua)



Escrito por ademir assunção às 12h17
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10h – Abertura: A Rebeldia e seus Discursos

Mesa: Antonio Vicente Pietroforte

Professor Doutor, FFLCH-USP

 

Joca Terron

Escritor

 

Glauco Mattoso

Poeta

 

11:30h – A Narrativa Contemporânea

Mediador: Bruno Zeni

 

Andrea Saad Hossne

Professora Doutora, FFLCH-USP

 

Marcelo Mirisola

Escritor

 

Priscila Figueiredo

Crítica e poeta

 

13h – 14h – Intervalo

 

14h – Poesia Contemporânea e suas Paisagens

Mediador: Dirceu Villa

 

Manuel da Costa Pinto

Editor e crítico

 

Eduardo Sterzi

Crítico

 

Tarso de Melo

Poeta. Editor da Revista Cacto

 

Heitor Ferraz

Poeta e editor

(continua)



Escrito por ademir assunção às 12h15
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16h – Poesia Contemporânea e Sociedade

Mediador: Paulo Ferraz

 

Maria Claudia Galera

Especialista em Literatura Comparada

 

Ademir Assunção

Poeta. Editor da Revista Coyote e organizador do Movimento Literatura Urgente

 

Frederico Barbosa

Poeta

 

Cláudio Daniel

Poeta. Editor da Revista Zunái

 

17:30h – Encerramento

Mamede Jarouche

Tradutor das Mil e Uma Noites. Professor Doutor, FFLCH-USP

 

18h - Lançamento da Revista Phoenix n° 19

Local: Bar ao lado

 

Sugestão:

0h – A Filosofia na Alcova

Ingresso: R$ 25,00, Duração: 75 minutos

Recomendação: Impróprio para menores de 18 anos

 

Organização:

Academia de Letras (Direito – USP)

Revista Metamorfose (FFLCH – USP)

 

Apoio:

Os Satyros

Arcádia Cia. de Teatro da São Francisco

Revista Entre Livros



Escrito por ademir assunção às 12h13
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OS JERÔNIMOS QUE ANDAM POR AÍ

 

Meu amigo Eduardo Rodrigues escreveu um texto certeiro sobre Jerônimo, El Matador e mandou pra esta espelunca. Esse aqui:

 

 

Os Pequenos Jerônimos e as Microditaduras

(Uma história sem graça)

 

Basta dar um carguinho de subgerente pro cara, um punhado de alunos, uma promoção, um crachá de encarregado, uma família... pronto, instala-se o pequeno ditador.

 

Jeronimozinhos chefes de repartições públicas te deixam esperando horas, afinal são eles quem mandam naquela merda.

 

Jeronimozinhos professores se sentem no direito de humilhar seus alunos, afinal são eles quem detêm o conhecimento, aliás inquestionável.

 

Jeronimozinhos penduram seu crachá de encarregado no pescoço e, esquecendo que foram peões até poucos dias atrás, saem demitindo por justa causa, descontando em folha e o cacete.

 

Jeronimozinhos gerentinhos de multinacionais implantam o terror entre seus funcionários (quer dizer, empregados), pois despreparados e incultos temem perder seu lugarzinho ao sol pra algum deles.

 

E tem ainda os jeronimozinhos que possuem um poderzinho tão pequenininho que incide única e exclusivamente sobre sua família; aí o pau come, é a lei do cão, porrada pra todo lado. Filho meu não faz isso. Mulher minha não sei o quê. Quem manda nessa casa, caralho?

 

É uma questão de micropolítica. Foi-se a grande ditadura e formaram-se (ou mantiveram-se) uma infinidade de pequenas delas. É lamentável, deveríamos ter aprendido com o passado e tornarmos nossos ambientes de trabalho e habitats em geral instâncias altamente democráticas, já que a falta delas nos custou muito ainda há poucos anos. Imaginem se isso acontecesse, como tudo seria diferente.

 

Dentro dessa horda de pequenos ditadores encontra-se Jerônimo, o próprio. Deram uma caneta pro cara. E uma folha de papel que, tal feitiço de Harry Potter, se multiplica todo final de semana em um mais de milhão delas. E aí, pequenino Duce, o sujeito cria sua republicazinha antropocentrista e liga o despotismo no 220V. Verificar informações? Checar fontes? Como assim? Manter-se imparcial? Que merda é essa? – Eu já saio da redação com a matéria pronta. O que vão dizer as pessoas? Sei lá! Não me interessa.

 

Pobre Jerônimo, inebriado com a grandiosidade de sua república particular, desconhece que no fundo ela é uma cidadezinha de merda dentro de uma outra republiqueta particular de caras que mandam muito mais do que ele e, inclusive, nele. Que basta uma ligação do RH para ele perder o trono, a caneta, a folha de papel encantada e o salário.

 

Outra coisa, e principal, que o pequeno Jerônimo desconhece, pobre incauto, é que apesar de não termos Harry Potters do nosso lado, nossas folhas também se multiplicam e, diferente das dele, emitem cada qual opiniões diversas. Somos muitos, produzindo muito. Quer ele queira, ou não (a segunda opção me parece sua escolha), a gente não desiste e esses milhões de páginas em versos e prosas vão sair por aí encantando pessoas, despertando reflexões e incomodando pequenos Jerônimos onde quer que eles se encontrem.

 

 

Eduardo Rodrigues, 38 é poeta; não escreveu nenhum livro da série Harry Potter, nem é milionário como J.K. Rowling.

 

Se quiser ler outros textos do Edu, vá direto a página www.eduardorodrigues.com.br



Escrito por ademir assunção às 14h29
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A REBELIÃO COMEÇOU

 

 

 

Já está funcionando direitinho o esquema de venda direta (via internet) do Rebelião na Zona Fantasma, meu CD de poesia e música. Quem estiver afim pode fazer o pedido pelo email zonafantasma@uol.com.br (custa R$ 25 já incluído frete postal). Já tem várias pessoas recebendo via correio Brasil afora. E os primeiros shows estão sendo marcados: dia 20 de agosto em São Paulo, dia 17 de setembro em Londrina. Vão surgir mais. Não sei como colocar áudio nessa espelunca, mas vai aí  uma amostra silenciosa, o poema ESCRITO A SANGUE, que virou um “blues recitado”, como diz Stocker, com direito a um finíssimo solo de guitarra de Luiz Waack.

 

ruas escuras

atravessado

eu atravesso

            reviro o avesso

nele me meço

            olho de lince

encaro a face da fera

            espelhos se estilhaçam

rasgam minha cara

            cai a neblina do vazio

frio na barriga

            pago o preço

erva bola cogumelo

            volto ao começo

escapo com vida

            desconverso

verso escrito a sangue

            desapareço

quanto mais

            menos

me pareço

            eco de bicho homem

ego sem endereço



Escrito por ademir assunção às 12h17
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O TIRO DE JERÔNIMO, EL MATADOR

 

Marcelino Freire publicou um texto belíssimo em seu blogue. Sobre um tal Jerônimo, matador de aluguel, olhar frio, que age na surdina, como um infiltrado, vigiando atentamente os passos das suas “vítimas”, medindo a hora e o local certo para atacá-las. Há muitos desses por lá. Já fizeram o mesmo com Cazuza. Já fizeram o mesmo com Caio Fernando Abreu. Vão continuar fazendo. Sabe por quê, brother? Porque algozes como esses, ainda tão novos, não gozam nunca. E se incomodam com os que gozam. Com os que bebem. Com os que festejam. Com os que não levam a vida tão a sério. Não perca o texto do Marcelino. Clique aqui.

 

Ricardo Aleixo também escreveu sobre Jerônimo, El Matador. Mais zen, não gastou muita tinta. Sábia decisão. Clique aqui.

 

Talvez El Matador não saiba, mas poetas e ficcionistas podem fazer o que bem entender com as palavras. Podem cansar delas e resolver mudar tudo, abolir a lógica, desestabilizar discursos. Vai que esse negócio de políticas públicas para a literatura dê no saco. Podemos simplesmente dar outro nome. Por exemplo: pirulitos psicodélicos para garotas autistas. Que tal? Podemos mudar quando quisermos. A teimosia vai continuar a mesma.

 

Essa liberdade El Matador não tem. Ele vive preso numa cela muito pequena. Que ele pensa que é grande.



Escrito por ademir assunção às 11h22
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UM POUCO MAIS DE GRANDEZA, JERÔNIMO

 

 

Enquanto o palco acende a luz do soul

A banda passa e amassa o business-show

Romanos

Encharcados de poção

Vivemos de paixão

E alguma grana

 

Nei Lisboa

 

 

A revista Veja publicou neste fim de semana uma matéria sobre o Movimento Literatura Urgente. Superficial e maldosa, como era de se esperar.

 

Mesmo quem não manja bulhufas de jornalismo pode perceber facilmente que Veja não faz reportagens. Faz editoriais. Não sai a campo para recolher informações, cruzar dados e descortinar a realidade para informar seus leitores. Nada disso: é a realidade que tem que se encaixar à visão de mundo dos chefões da revista.

 

Trabalhei lá durante 11 meses, há 13 anos. Conheço bem o esquema. Internamente, existem as conhecidas “pensatas”. Quer dizer: o jornalista faz meia dúzia de entrevistas e levanta algumas informações para corroborar a “tese” já previamente traçada. Não adianta o entrevistado discorrer longamente sobre o assunto, fornecer informações, explicar seus pontos de vista. O que vai prevalecer é o “ponto de vista” da revista (ops!). É a pensata. E nada vai mudá-la.

 

Saí da revista por ter completo desprezo por esse tipo de jornalismo.

 

(continua)



Escrito por ademir assunção às 13h09
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No caso da matéria sobre o Literatura Urgente, a “pensata” é evidente: “o Movimento quer mamar nas tetas do governo”. Eu pressenti isso pelas perguntas do “repórter” Jerônimo Teixeira. Poderia ter me recusado a dar entrevista. Além de ser um direito meu, não faço a menor questão de “estar” na Veja. Mas, por educação, conversei longamente duas vezes com o “repórter”. Somadas as duas conversas, foram mais de 1 hora de explicações e detalhamento das propostas. Saíram apenas duas aspas (frases) minhas, ambas manipuladas de tal forma para corroborar a “pensata” da revista. E, claro, foram omitidas dezenas de informações.

 

Vamos a matéria: logo na linha fina, ou olho, o repórter (ou seu editor) já expressa a opinião da revista: “Era o que faltava: agora os escritores querem financiamento público.”

 

Eu pergunto: Por que “era o que faltava”? O que há de errado em reivindicar políticas públicas de fomento à literatura (o que a revista chama de “financiamento público”)?

 

Eu sei o que há de errado para a revista. Veja é um panfletão do capitalismo liberal. Tem uma visão de que o mercado é quem manda, o mercado é que regula tudo. Tudo, portanto, se resume a transações comerciais privadas. É assim que eles enxergam a arte e a cultura, inclusive (e isso está expresso ao longo da matéria). Mas essa visão capitalista liberal não impede que Veja, e todo o império Civita, usufrua dos subsídios ao papel (que toda a grande imprensa brasileira tem). Por quê, Jerônimo?

 

Eu sei: quando os subsídios são para o grande capital, ops, aí é bem-vindo. Como são bem-vindos os R$ 16 milhões captados na Lei Rouanet para a montagem de O Fantasma da Ópera, em cartaz no Teatro Abril, através de renúncia fiscal. Portanto: dinheiro público. R$ 16 milhões para um único espetáculo teatral, com ingressos de R$ 65 a R$ 200. Ops: aí o capital privado agradece a mãozinha do governo, não é Jerônimo?

 

(continua)



Escrito por ademir assunção às 13h08
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Vamos em frente: o “repórter” refere-se, em trecho do “editorial”, que os escritores “reivindicam 30% do Fundo Pró-Leitura (...) para a ‘criação literária’. Calcula-se que o fundo, – continua o “repórter” – a ser constituído por 1% dos rendimentos de editoras, distribuidoras e livrarias, movimentaria cerca de 40 milhões de reais por ano. Ou seja, os escritores estão pedindo 12 milhões”.

 

Muito bem: primeiro, o “repórter” Jerônimo omite que no final do ano passado o Governo Federal promulgou um decreto isentando as editoras do pagamento de impostos diretos à União, como parte de um plano para barateamento do livro. Em bom português (como gosta de escrever o “repórter”): isso significa que os editores deixaram de pagar 10% de impostos aos cofres públicos. Segundo cálculos do Ministério da Fazenda, algo em torno de R$ 160 milhões anuais. Quer dizer: uma forma de subsídio para o setor privado. Eu falei sobre isso para o “repórter”, mas ele fez questão de “esquecer” e omitir na matéria.

 

Em contraposição a esse subsídio, o Governo propôs que as editoras (e não livreiros e distribuidores) contribuíssem com 1% do lucro líquido para a formação do Fundo Pró-Leitura, proposta, aliás, que não desagradou o setor editorial. E o Movimento Literatura Urgente reivindicou, através de documento enviado ao Ministério da Cultura, que 30% fosse utilizado no fomento à criação literária. De novo eu pergunto: o que há de errado nisso, Jerônimo?

 

Eu sei novamente o que há de errado: com seu jornalismo manipulador, a revista afirma que os escritores querem levar um troquinho dessa bufunfa. Mas eu expliquei ao “repórter”, e ele fez questão novamente de “esquecer”, que o Movimento propõe a criação de programas públicos para a utilização desse dinheiro, através de editais públicos, transparentes e democráticos. Com esses critérios, R$ 12 milhões bem aplicados em literatura ampliariam vertiginosamente a produção de revistas literárias, CDs de poesia e áudio ficção, livros, jornadas literárias, etc etc etc. Veja, Jerônimo: com R$ 4 milhões a menos do que os R$ 16 milhões aplicados no espetáculo em cartaz no teatro do seu patrão, milhares de pessoas no Brasil todo seriam atingidos por lufadas de inteligência, criatividade e qualidade literária. Tenho certeza disso.

 

A visão canhestra da revista está claramente expressa logo mais a frente, na matéria do “repórter” Jerônimo. Com um raciocínio tacanho, ele diz que para escrever um livro “basta lápis e papel” e que, se tiver leitores em volta, o escritor poderá “vender” muitos livros e ser “remunerado” com direitos autorais. Para coroar o pensamento, cita o caso de J. K. Rowling, autora da série Harry Potter, que atualmente “é mais rica que a rainha da Inglaterra”.

 

Deus meu!

 

Mas vamos lá: primeiro: talvez para escrever matérias superficiais e maldosas apenas lápis e papel resolva. Para escrever livros (bons livros) é preciso mais, Jerônimo. É preciso anos de pesquisa, de leituras, de vivências, de rascunhos, de tentativas, de oportunidades. Segundo: quem está falando em ficar rico com literatura? Por quê essa manipulação odiosa de transformar propostas sérias de políticas públicas para a literatura em tentativas de enfiar uma boa gaita no bolso? Diga lá, rapaz?

 

Mais a frente, o “repórter” não se contém e qualifica como “propostas descaradas” a idéia de “bolsas de criação” e de “intercâmbio com Portugal e países latino-americanos”, segundo ele, “um trem da alegria letrado”. 

 

(continua)



Escrito por ademir assunção às 13h07
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Propostas descaradas? Trem da alegria? Quer dizer que as centenas de programas de intercâmbio que existem na Europa, Estados Unidos, Ásia, etc, são trens da alegria? Quer dizer que programas públicos de apoio à arte como o National Endowment for Arts, dos Estados Unidos, deveria ser fechado? E as milhares de bolsas públicas de mestrado e doutorado no Brasil (inclusive bolsas-sanduíche, com direito a pesquisa em outros países) deveriam ser extintas?

 

Por último, um box da matéria, com o título “Mamata das letras” lista algumas propostas do Movimento Literatura Urgente, entre elas a concessão de vinte bolsas anuais, “totalizando uma despesa de 700 mil reais.”

 

Vamos esclarecer: a proposta de 20 bolsas anuais sugere valores de R$ 3 mil mensais (menos do que a Bolsa Vitae, a qual usamos como referência de mercado) para autores que “não tenham vínculo empregatício”, através de edital público, amplamente divulgado, para que todos saibam. Há alguma indecência nisso? Se há indecência, então, quer dizer que as milhares de bolsas de mestrado e doutorado são indecentes?

 

Vamos fazer as contas, Jerônimo: com os R$ 16 milhões de dinheiro público abocanhado pela peça teatral em cartaz no teatro do seu patrão, daria para conceder 30 bolsas anuais durante 16 anos. Por que você não publica esses números na sua revista? Seriam indecentes demais?

 

É evidente que com ou sem recursos públicos, bons escritores e boa literatura vão continuar surgindo. Mas se tivermos políticas públicas sérias e democráticas, a criação e circulação literária pode melhorar muito. Ótimos escritores, que vivem à margem das grandes editoras, teriam mais possibilidades de encontrar seu público e, ao inverso, o público teria maior acesso à literatura mais contundente, inquietante e inconformista, não ficando refém do grande mercado e seus negócios, movido a Harry Potters e outros bestsellers. Mas isso, parece, não interessa a grandes impérios da comunicação, que preferem manter o público atado aos seus cordões manipuladores, dizendo-lhes semanalmente o que devem pensar, o que devem ler, e como devem se comportar.

 

Mas o que mais me espanta na matéria é que um movimento ainda tão iniciante, deflagrado em pequenos blogues, já tenha despertado a “atenção” da gigante Veja, a ponto de dedicar-lhe uma página. Talvez não seja tão espantoso assim. Talvez o capital privado na arte e na cultura não queira que os artistas comecem a se informar melhor dos subsídios que rolam mais ou menos dissimulados por aí. Talvez eles não queiram que os artistas batalhem para que esses subsídios sejam melhor utilizados. Talvez eles queiram que os escritores calem a boca com seus 10% de direitos autorais e se conformem em viver a espera de um ilusório “reconhecimento da posteridade”.

 

Nós estamos interessados no contrário, Jerônimo. Estamos interessados em trazer as informações à tona, criar consciência e gerar inconformismo. Afinal, essa é a função de toda arte decente, não acha?

 

Deveria ser também do jornalismo. Fazer circular informação de verdade, pelo menos, deveria.

 

 

PS: Jerônimo: dia 16 de julho estarei debatendo esse assunto na FLAP em São Paulo (uma feira criada pelos estudantes de direito da USP em contraposição a FLIP). Vai ser no Teatro dos Sátyros, ali na Praça Roosevelt. Não é tão grande e confortável como o teatro do seu patrão, mas é aconchegante e o evento é grátis. Se quiser expor seus pontos de vista e debater conosco, está convidado.



Escrito por ademir assunção às 13h06
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