Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Ademir Assunção (site)
 Rebelião na Zona Fantasma
 Distribuidores revista Coyote
 Mario Bortolotto
 Rodrigo Garcia Lopes
 Claudio Daniel
 Edvaldo Santana
 Marcelo Montenegro
 Jotabe Medeiros
 Marcelino Freire
 Maurício Arruda Mendonça
 Luis Nassif caso Veja
 Alice Ruiz
 Reporter Brasil
 Adriana Brunstein
 Daniella Angelotti
 Ana Paula Sousa
 Rodrigo Carneiro
 Paulo Henrique Amorim
 Ana Peluso
 Carlos Carah
 Luana Vignon
 Ricardo Aleixo
 Fernanda D'Umbra
 Luis Nassif
 Douglas Diegues
 Ricardo Carlaccio
 Sonia Alves Dias
 Artur Gomes
 Marcelo Sahea
 Monica Berger
 Ana Maria Ramiro
 Márcio Scheel
 Maléfico Bar
 Danny Boy
 Atrito Art Editorial
 Paulo de Tharso
 Paulo Stocker
 Pierre
 Revista Zunái
 Chacal
 Lu Vitaliano
 Augusto de Campos
 Frederico Barbosa
 Amiri Baraka (em inglês)
 Maria Esther Maciel
 Blocos
 Tanto
 Virna Teixeira
 Nei Lisboa
 Sebo Bactéria - livros raros
 Linaldo Guedes
 Angeli
 Os Satyros
 Geórgia (Ponto Gê)
 Allan Sieber
 Zeca Baleiro
 Paulo de Toledo
 Pop Box
 Lau Siqueira
 Kitagawa
 La Carne
 Carlos Reichenbach
 Ferréz
 Makely Ka
 Germina Literatura
 Torquato Neto
 Pesa-Nervos
 Márcio Américo
 Eduardo Rodrigues
 Miguel do Rosário
 Bárbara Lia
 Revista Germina
 Camaleoa
 Audio Poesia (Duca)
 Beto (quadrinhos)
 William Burroughs (em inglês)
 Mulheres Suicidas
 Pedro Alexandre Sanches
 Rubens K
 Cultura e Mercado
 Agência Carta Maior
 Rubens Pillegi
 Boca Quente
 Zema Ribeiro
 Cachorro Manco
 Bêbados Habilidosos
 Paulo Leminski
 Paralelos
 Cassiano Vianna
 Leo Lobos
 As escolhas afectivas
 Robert Míssil
 Rodrigo de Souza Leão
 Wilson Luques Costa
 Estrela Leminski
 Publish News
 Music News
 Paulinho Assunção
 Karen Debértolis
 Cidadão do Mundo
 Vitor Novais
 UBU WEB
 Thadeu Wojciechovsky
 Xico Sá
 Greta Benitez
 Ikaro Maxx
 Rosella
 Revista Fórum
 Nelson Peres
 Radio Zero
 Alberto Guzik
 Neuza Pinheiro
 Laura Fuentes
 Adriana Godoy
 Juvenal Pereira
 Turiba
 Galeno Amorim
 Bloqueiros Desocupados
 Artur Gomes
 Flavio Moura


 
ESPELUNCA - blogue de ademir assunção


NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO

 

Eu me conheço. Quando eu começo, não sei parar. Eu perco coisas pelo caminho. Eu perco compromissos importantes no dia seguinte. Eu falo besteiras para pessoas que eu considero. Eu arrumo confusões desnecessárias. Eu passo muito perto do perigo. Eu já vi esse filme muitas vezes. Cada um é cada um. Eu não posso chegar tão perto do fogo desse jeito outra vez. Eu preciso muito de calmaria. Muito mesmo. Eu não deveria escrever essas coisas aqui, mas eu escrevo. É apenas um jeito de me salvar. É apenas um jeito de pedir: senhores deuses me protejam. Que ninguém se assuste. Nem todo dia a vida é em tecnicolor. Só isso. Cuidem-se bem, perigos há por toda a parte, como cantava Guilherme Arantes. Aliás, Marião, essa é uma boa pra incluir no repertório, não acha? No fundo continuamos sendo os velhos garotos selvagens de sempre. Quem sabe esteja na hora de assumirmos: só somos velhinhos indomáveis. Mas até Paul Newman tem seu tempo de trégua. Deu pra mim. Vou pra Porto Alegre, tchau.



Escrito por ademir assunção às 16h19
[] [envie esta mensagem] [ ]



UM GRANDE POETA

 

 

Rodrigo de Souza Leão escreveu um dos melhores livros que li o ano passado: Todos os Cachorros São Azuis. Um pequeno clássico geracional. Como PanAmérica (José Agrippino de Paula), Tanto Faz (Reinaldo Moraes) e Morangos Mofados (Caio Fernando Abreu). E continuava escrevendo alucinadamente. Prosa e poesia.

 

Não o conheci pessoalmente, mas era como se fosse meu amigo íntimo. Conversamos uma única vez por telefone. Ele me ligou do nada e ficamos mais de uma hora conversando. Trocávamos muitos emails. Me sentia próximo dele.

 

Rodrigo era uma espécie de Ken Kesey da poesia brasileira. Um estranho no ninho da poesia.

 

Agora pouco recebo um email do meu amigo Cássio Amaral dizendo que ele se foi. Logo depois, meu amigo Sérgio Mello confirma. Parada cardio-respiratória. Estou pasmo. Sinceramente, espero que tudo não passe de um engano.

 

Ele mantinha um blogue muito legal. O lowcura. Esse foi o último texto que escreveu, publicado no dia 25 de junho:

 

“A mente esquizofrênica não funciona bem e boicota, sem os remédios, o tempo todo. Com remédios ficamos bem. Leves e tranqüilos para o mundo, que é muito bom. Fora as pessoas que não valem à pena, estas manter distância torna-se necessário. Positive Vibrations.”

 

No mesmo dia, 2h20 antes, ele postou esse poema:

 

TUDO É PEQUENO

 

Tudo é pequeno

A fama

A lama

O lince hipnotizando a iguana

 

O que é grande

É a arte

Há vida em Marte

 

Caraco, irmãozinho: você vai fazer falta. Segue em paz teu caminho. Positive vibrations.



Escrito por ademir assunção às 16h34
[] [envie esta mensagem] [ ]



O TEMPO NÃO PÁRA

 

 

“Não devemos desperdiçar a graça dos pequenos momentos de liberdade de que podemos desfrutar: uma mesa compartilhada com pessoas que amamos, umas criaturas que ampararemos, uma caminhada entre as árvores, a gratidão de um abraço. Nós nos salvaremos pelos afetos. O mundo nada pode contra um homem que canta na miséria.”

 

Ernesto Sábato, na Coyote 19, que já está chegando nas livrarias e no Sebo do Bac: www.sebodobac.com



Escrito por ademir assunção às 13h49
[] [envie esta mensagem] [ ]



COYOTE NOVA NA PRAÇA

 

 

Foto da capa: Rogério Ivano

 

Chegamos ao número 19. Com uma entrevista inédita de João Cabral de Melo Neto, feita pelo poeta gaúcho Thomaz Albarnoz Neves. Cabral diz coisas surpreendentes. Tipo isso: “Quando estava morando em Barcelona, tinha acabado de escrever e publicar a ‘Psicologia da Composição’ e estava certo de que não iria mais escrever poesia.”

 

Tem mais: poemas da brasileira Annita Costa Malufe, da portuguesa Ana Luísa Amaral, do norte-americano George Oppen (traduzidos por Ruy Vasconcelos) e da espanhola (radicada no Paraguai) Montserrat Alvarez (traduzidos por Luiz Roberto Guedes); contos de Marcelo Maluf, Reni Adriano e Donald Barthelme (traduzido por Caetano Waldrigues Galindo), quadrinhos da dupla Teo Adorno e Luiz Brás e fotos do londrinense Rogério Ivano. Tem poemas meus também, do meu novo livro, ainda inédito.

 

Quem estiver interessado, Coyote 19 já está chegando nas livrarias. Se não encontrar, vá direto ao Sebo do Bac que é tiro certeiro: www.sebodobac.com.

 

E abaixo poema de Montserrat Alvarez (com sua dicção densa e atormentada), traduzido por Luiz Roberto Guedes:

               

 

Garrafa ao mar do futuro

 

Os grandes amantes que saúdam com as loucas gargalhadas

de sua unção esquizofrênica as primeiras cruezas do inverno

sua rotina cíclica, rigorosa e rude

Os grandes amantes que aplaudem a chegada da noite

com sua ultrajante barbárie clandestina

com suas dolorosas alegrias cruéis,

com seus gozosos loucos maravilhosos êxtases psicóticos

 

 

Os grandes amantes que caminham apressados

dando-se nervosamente as mãos suarentas

fumando com frenesi e beijando-se e movendo

as pernas olhando em frente sem nunca dizerem nada

porque já sabem de tudo – como se estivesse dito

 

Os grandes amantes que consomem cerveja e aguardente

que desperdiçam até o que não possuem que caminham

a toda pressa cegamente perseguindo um sentido que

não está em parte alguma que tentam comportar-se

como pessoas normais mas não conseguem esconder de todo

o vigoroso afã que os consome entrelaça seus corpos move

suas pernas sem fim nem trégua porque perseguem algo

que não se encontra em parte alguma



Escrito por ademir assunção às 12h08
[] [envie esta mensagem] [ ]



 

Os grandes amantes que vão ao dentista põem o lixo lá fora

dizem boa tarde pagam a luz o aluguel a água

vivem passando aperto com seu incerto porvir terreno

colocam sua máscara social a cada dia preservam as aparências

enfrentam e sorriem ante o ubíquo inimigo plural de mil olhos

Que apenas conseguem fazer frente a tal destino terreno porque estão

                                                             teimosa e avidamente ocupados

em sua perseguição insone faminta de algo que não está em nenhuma parte

                         

Mas que contudo retiram o lixo dizem boa tarde pagam os honorários do dentista trabalham

perdem no trabalho horas preciosas de sua única vida horas que poderiam ser poemas

horas que poderiam ser de amor horas enfim roubadas de sua busca feroz e decisiva

os grandes amantes que retiram o lixo pagam a luz o aluguel a água

 

Os grandes amantes que refreiam seu impulso

de começar a correr mesmo que não saibam para onde vão

e às vezes de madrugada acordam anelantes

e se unem e se beijam mas não conseguem nunca

acalmar-se porque perseguem algo que não está em parte alguma

 

Que não está neles mesmos que em parte alguma está

que já não fala nunca que ninguém lhes esconde

que não se torna visível que não mora em seu centro

que já está esquecido que já deixou

seu coração vago que a ninguém mais recorda nem conheceu jamais

ao qual ninguém mais interessa

 

Que um dia teve uma alma grande como o espaço

que falava com setenta vezes sete sonoras fauces

setenta vezes sete gigantescas e fundas que eles ainda têm dentro de suas gargantas

Algo do qual eles são os espectros sem sabê-lo as sombras projetadas a luta

a agonia a última batalha que os faz bramir com

suas vozes toscas negras grosseiras perigosas

 

Que é sua fonte sua medula seu intempestivo núcleo o motor

de sua vida e de sua força o feroz combustível de suas pernas potentes

que perseguem a Morte o Absoluto a Última Verdade Definitiva

a única coisa que poderá saciá-los isso que os agita e alimenta com sua enorme maldade

com seu ódio cego que quer destruir com sua demente

e também cega patética bondade alucinada que não fala por eles

mas em nome de todos que em nome de todos

se rebela e maldiz que deseja matar e morrer pelos outros por milhões por algo

que já não se encontra em nenhuma parte

 

Que ninguém lhe interessa afinal de contas que já não lembra de ninguém ainda que todo este amor

e todo este ódio pudessem ter sido tão importantes um dia quase vitais que coisa mais ridícula

ainda que tantas palavras feitas de tanta vida feitas de tanta morte possam ter sido

importantes um dia para todos os homens

 

Os grandes amantes que tanto caminham os dromomaníacos delirantes

que se entrelaçam e se unem na desolação de sua tristeza

em seu impressionante vigor improdutivo em sua insólita formosura em seu desconcertante

desamparo em seu exílio de um Olimpo desabitado e arruinado porque se sabem sozinhos sozinhos sozinhos

 

Perseguem em suas cegas caminhadas e querem e não querem encontrar

o grande trono vazio de sua divindade arcaica Ó Senhor da Noite,

por que te manifestas como ausência Quem terá te assassinado

 

Os grandes amantes escrevem escrevem e com tinta invisível e ferozes criptogramas

interpelam os que chegarão em tempos mais ditosos – Ó vós todos

daqui deste mundo de mudez inerte desde este grande semsentido

deste mundo tão feio desde algo tão vulgar

como este mundo daqui deste mundo

televisionado ao vivo e diretamente nós vos saudamos

Muitas felicidades

Porque o que hoje se diz a partir de dois solitários

corações dementes                                                

saberá dizê-los em voz alta o amanhã desde muitos milhões desde todos



Escrito por ademir assunção às 12h05
[] [envie esta mensagem] [ ]



HOJE NO RIO

 

 

SÁBADO EM SÃO PAULO

É o sexto encontro da série, que tem feito a cabeça de muita gente.



Escrito por ademir assunção às 11h25
[] [envie esta mensagem] [ ]



HOJE É DIA DE PORNOPOPÉIA

 

Ezra Pound falava em melopéia, fanopéia e logopéia. Leminski acrescentou mais uma: a loucopéia. E agora Reinaldo Moraes amplia a festa com sua pornopopéia.

 

Lançamento hoje (dia 29), na Mercearia São Pedro (rua Rodésia, 34 – Vila Madalena), a partir das 20h.



Escrito por ademir assunção às 12h21
[] [envie esta mensagem] [ ]



PÉ NA ESTRADA

 

 

Estou saindo pra Penápolis. Vou dar uma oficina de haikais lá. Perto de Mirandópolis, cidade em que morou Nenpuku Sato, um dos grandes haikaistas japoneses, que veio para o Brasil nas levas migratórias. Gosto desse assunto. Gosto de botar o pé na estrada. Boa oportunidade para falar de um ancestral easy rider, um on the road do século 17, que cruzava o Japão de ponta a ponta, a pé, só pra ver a neblina cobrindo o cume do Monte Fuji. Grande Bashô, o senhor Bananeira (“bashô”, em japonês, quer dizer “bananeira”).



Escrito por ademir assunção às 12h06
[] [envie esta mensagem] [ ]



TRÊS POEMAS

 

de Reynaldo Damazio, do livro Horas Perplexas (2008)

 

 

ÂNGELUS

 

Anjos não voam mais

asas emperradas, vagueiam

da sarjeta ao manicômio

esgrimam com fantasmas de néon

armados de letras góticas

pressentidos no coração aflito

de crianças sem religião

abrigam-se da chuva negra

sob viadutos

nos classificados da edição dominical

nas caixas de papelão do shopping center

na última fila do cinema pornô

corpos de anjos alimentam

ratos nos esgotos

restos de anjos estão à venda

na feira de antiguidades

muitos usam prostitutas

entediados com a corrupção

de menores

 

mas há os que lêem Dante

com desdém

os que indagam do futuro

no fundo da xícara

que do aparador mantém

o equilíbrio do universo

há os que negam sua humanidade

e se tornam personagens

de romances herméticos

anjos tortos foram extintos

não há pistas de anjos guerreiros

senão nos quadrinhos como

paródia de espartanos sensíveis

anjos com aspecto infantil

ganharam patente na indústria de massa

somente um anjo, o mais belo,

sorri em farrapos no banco da praça

de tanta tolice

 

 

 

MEMÓRIAS DA DECOMPOSIÇÃO

 

A noite não deixa marcas em meu sonho;

os passos se perdem na calçada

e nada pode ser mais preciso,

mais tortuoso,

que o esquecimento do desejo,

o fim da fagulha entrevista no olhar

que me procurava

(ao menos assim o imaginei)

em dias de vento frio,

em noites de sede e tédio,

quando a violência das ruas

gritava nos telejornais e fingíamos

que havia um mundo quase perfeito,

circunscrito entre bares, cinemas,

cafés, móveis baratos de um apartamento

alugado a preço de banana,

no centro velho de uma metrópole

que já não existe.

 

 

UNREALITY SHOW

 

escutou o ruído da morte. não era

incômodo ou persuasivo. um canto

mudo, se possível. estridência

silenciosa, se tanto. queria reter do

ruído seu contorno preciso,

exatidão de certa ausência pressentida.

mas o corpo inerte da avó e

a dor delicada que perfurava suas

vísceras roubaram a atenção.

ficou o sopro das janelas, o odor de flores.

tudo muito real.



Escrito por ademir assunção às 10h43
[] [envie esta mensagem] [ ]



FESTA BRUTAL

 

Para arrecadar fundos para a montagem da peça Brutal, texto de Mário Bortolotto.



Escrito por ademir assunção às 14h50
[] [envie esta mensagem] [ ]



LOGO MAIS

Não perca. Você não vai ter a chance de ver coisa parecida outra vez.

Um poema de Antonio Thadeu Wojciechowski:

ESSAS COISAS SÓ ACONTECEM COMIGO

Dia desses, andando no cu da madrugada,
Tão bêbado, trôpego, triste e comovido,
Que imaginei estar sofrendo na lombada
Todas as dores deste mundo sem sentido.

O céu ía alto. Na rua, um asfalto de merda
Ampliava os riscos de eu me esborrachar no chão,
Mas, na hora, sem saber de nada disso, achei certa
A decisão de ir em frente e, quer queira ou não,

Com bêbado não se discute, ainda mais quando
Ele é você mesmo. Assim, nós, ou melhor, eu,
Saí a procurar um bar aberto e, fumando,
Já nem me lembrava do que me aborreceu.

O bairro Barreirinha é grande e escuro.
Tateando, investigando, perscrutando, achei.
No fundo do quintal, o barraco, sem muro,
Era simples e aconchegante. Nem pensei.

Pedi logo duas, pra não ter que esperar
Trazerem outra quando a primeira acabar.
Sentado, bebendo e fumando, não vi a hora
Passar. É engraçado ver isso tudo agora!

.

Eu, na maior deprê, sem ter para onde ir,
Me julgando o borrabosta mor da cidade,
Estava ali tranqüilo, tomando uma beer,
Queimando um Marlboro em total felicidade.

Mas se uma tempestade não dura pra sempre;
A paz também já nasce com o umbigo roxo.
Na mesa ao lado, um beberrão, completamente
Louco, ergue-se e me acerta, em cheio, um soco.

Doeu mais a ofensa que o direto, porém,
Enfiei-lhe a mão na cara, sem perdão nenhum.
O dono do bar entrou na briga, também,
E o bafafá virou um borobodó...hummm!

Meu Deus! Todo mundo dando porrada, bem
Pra caralho. Até um gaguinho, meio picego,
Entra na dança, vem pra cima de mim sem
A menor cerimônia e vai como um prego.

Deu dó, foi um tombo só. Dei-lhe uma rasteira,
Coisa linda de ver! Horizontalizei
No ar o filho da puta, que caiu, sem eira
Nem beira, gritando “le-le-vi-vi-vi-tei!



Escrito por ademir assunção às 12h44
[] [envie esta mensagem] [ ]



CENSURA BRANCA OU PARANÓIA?

 

Eu falo em censura branca aqui e muita gente deve me achar um pentelho paranóico. Quem está preocupado com isso? A época é de diversão. Vamu lá, rapaziada!

 

Bom, eu tenho 25 anos de jornalismo (boa parte desse tempo no “exílio”). Nunca tive ilusões a respeito da grande (ou média) imprensa. Sempre soube dos acordos dos donos de jornais. Mas ainda peguei uma época em que havia uma nítida (e conflituosa) divisão entre redação (departamento editorial) e departamento comercial. Jornalistas (nem todos, claro) brigavam para fazer seu trabalho decentemente: informar. A rapaziada do departamento comercial (pressionada pelos donos dos jornais) tentava vender o máximo de anúncios possível. Fazia parte do jogo. Mas quando as negociações (e acordos por debaixo do pano) interferiam demais na liberdade editorial, o bicho pegava. Os conflitos eram constantes. Afinal, jornalismo sem credibilidade vale pra quê? Há alguns anos, parece, os donos de jornais se importavam um pouco mais com isso. Hoje, cada vez menos.  Por isso quase ninguém acredita no que lê, ouve e vê na imprensa.

 

E a rapaziada que está saindo das faculdades de jornalismo (a maioria, caça-níqueis altamente lucrativos) muitas vezes confunde jornalismo com glamour. Não estou generalizando, mas muitos e muitos recém-formados querem ser William Bonner ou Fátima Bernardes. Não fazem a menor idéia do que seja jornalismo. Não fazem a menor idéia dos riscos e do tesão de fazer bom jornalismo. Os riscos vão desde levar um balaço no meio da testa (ainda há muitos e muitos casos Brasil e mundo afora) até amargar o desemprego crônico. O tesão, bom, só quem tem tesão é que sabe.

 

Mas, voltando a “censura branca”. Está rolando, sim. Cada vez mais. Censura branca, institucional. Não é um censura governamental, explícita. Não. O Big Brother é muito mais difuso. Confunde mais. Deixa na dúvida. O pior é que a chamada imprensa “alternativa” atual não ajuda. Fórum, Brasileiros, Revista do Brasil, Caros Amigos, embora cumpram um papel importante, estão muito longe de um jornalismo mais quente, ousado, questionador de verdade. Quando se trata de jornalismo cultural, então, quase que reproduzem a mesma linha editorial da grande imprensa. É uma cegueira absurda. Lamentável.

 

Não quero puxar a sardinha para o meu lado (até porque essa sardinha não é nada “digestiva”) mas está na hora de botar algumas informações na roda. Quem acompanha essa espelunca sabe que há mais de um ano tenho um livro de entrevistas prontinho. E há mais de um ano e meio, um outro livro de grandes reportagens, artigos, resenhas e textos inclassificáveis. Os dois livros sintetizam 25 anos de jornalismo profissional. Quer dizer: são duas antologias do melhor que publiquei na imprensa (grande, média, pequena, sindical, alternativa) durante 25 anos. O livro de entrevistas, pelo menos, pensei que despertaria facilmente o interesse de grandes editoras. Afinal, é um time nada desprezível de entrevistados: Paulo Leminski, Raul Seixas, Roberto Piva, Haroldo e Augusto de Campos, Luiz Melodia, Grande Otelo, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Alice Ruiz, Márcia Denser, Hermeto Pascoal, Sebastião Nunes, Glauco Mattoso, Lenine, Arnaldo Antunes, Jorge Mautner, Mario Bortolotto, Chacal, Nelson de Oliveira, Claudio Daniel e por aí afora.

 

Bom, algumas grandes editoras se interessaram. Uma delas, ligada a um grande império de comunicação, chegou a pedir para ser a primeira a ter o material. Isso se deve em muito ao interesse de um dos editores. Mas seu pedido não foi individual. Foi feito depois de conversa com a direção da editora. A diretora de outra, uma das maiores, ou a maior do Brasil (e, parece, da América Latina) fez elogios rasgados ao livro, disse que as entrevistas eram excelentes, que eu era um ótimo entrevistador e chegou a dizer que era uma honra ser entrevistada por mim (após uma entrevista que fiz com ela, para um instituto cultural de São Paulo). Estranhamente, as duas editoras desistiram do livro, após algum tempo. Fiquei matutando: mas como, se demonstraram tamanho interesse? Será que após lerem o teor de algumas entrevistas, deram pra trás? Mas será possível um negócio desses? Em pleno século 21?

 

Pra entenderem o teor de algumas entrevistas, a que estou me referindo, alguns exemplos: “Se 95% da humanidade é conservadora e só 5% revolucionária, o mundo é dos medíocres. Eles fazem os best-sellers, os automóveis, os hipermercados, os programas de auditório e estão controlando o poder na terra inteira. Por isso a minha "provocaçam", em legítimo português arcaico: pra dizer que não gosto deles, que prefiro um assaltante a um banqueiro, um bêbado a um industrial e um pivete a um publicitário.” (Sebastião Nunes, entrevista publicada na revista Cult, agosto de 2.000). “Publicidade é babaquíssima. Você pega um Washington Olivetto, um Alex Periscinoto, um Roberto Duailibi, um Roberto Medina (donos de algumas das maiores agências de São Paulo e Rio de Janeiro), são caras extremamente babacas. Inteligentes, mas extremamente superficiais. São exemplos de babacões metidos a criadores e filhotes diletos do universo pasteurizado do consumo made in América.” (Sebastião Nunes, entrevista publicada no Jornal da Tarde, em 25 de fevereiro de 91). “Gosto de futebol. Sou um cara muito machista. Não me sinto à vontade com esses valores gays. Eu me solidarizo. Fiz parte de todo um movimento cultural de minorias que aconteceu justamente no final do período militar (...). Então, lógico, eu me solidarizo, tenho cumplicidade nisso. Mas não me identifico com o estereótipo homossexual. Na verdade, não sou um homossexual. Os dois maiores mitos do homossexualismo quais são? O sexo anal e o culto priápico levado ao exagero — o culto do pau grande. Não sou adepto de nenhuma dessas duas coisas. ” (...) “A pedolatria, por mais excêntrica que pareça socialmente, na verdade ela é muito mais inofensiva que a prática sexual comum de penetração. Posso estar lambendo uma sola de sapato, por exemplo, e na verdade não estou absorvendo mais sujeira do que você absorve respirando o ar poluído.” (...) “As pessoas costumam pensar que são coisas automáticas, que vou me esporrar todo, que vou ficar completamente fora de mim. Na verdade, tenho uma atividade mental, sou um punheteiro.” (Glauco Mattoso, entrevista publicada na revista Medusa, novembro de 1998).

 

Há muitos outros exemplos de declarações desse tipo. Tenho preguiça, agora, de procurá-las. E eu comecei a pensar: será que é isso? Será possível? Não sei. Não sei o ponto a que está chegando o moralismo, o alinhamento ideológico ou o receio da perda de alguma vantagem econômica (esse o maior de todos). Não esqueçam a censura imposta recentemente à biografia de Roberto Carlos. Temendo um processo, a editora Planeta simplesmente retirou o livro das livrarias. O que é isso? Censura, óbvio. É como se a Penguim Books, temendo um processo da Igreja, retirasse o Ulisses, de James Joyce (que, aliás, foi alvo de censura na época) de circulação. É como se o réu já assumisse a culpa antes do julgamento. E a culpa, neste caso, é a ousadia de exercer o direito à liberdade de expressão, garantido na Constituição Federal da maioria dos países.

 

Essas desconfianças sombrias se reforçam ainda mais quando fico sabendo que livros estão sendo retirados de bibliotecas escolares com o argumento de que “ferem e influenciam negativamente os jovens”, por tratarem de assuntos como violência, sexo e morte. Mais assustador saber que entre estes livros estão volumes de história, recolhidos por apresentarem gravuras com rituais indígenas de execução dos adversários. E também a história em quadrinhos Um Contrato com Deus, de ninguém menos que Will Eisner, sob a acusação de tratar de assunto inadequado como estupro, violência e sexo.   

 

Quem acha que é pura paranóia, pense um pouco nas palavras de Allen Ginsberg, em entrevista a Rodrigo Garcia Lopes, em 1991!!!!, publicada no livro Vozes e Visões (ed. Iluminuras). “Hoje há uma imposição da censura legal em todos os níveis, muito mais do que em qualquer outro período. (...) Não é só o ataque às artes, com o escândalo no Fundo Nacional para as Artes, que desde o ano passado passou a se recusar a financiar trabalhos de arte que fossem considerados ‘indecentes’. (...) A censura à liberdade de expressão nos EUA está mais forte do que nunca. (...) A desculpa é a de proteger os direitos dos menores de idade. Com isso, acabaram reduzindo uma população inteira a uma mentalidade infantil. (...) A mídia faz uma lavagem cerebral mesmo: as imagens dos mortos na guerra, do assassinato da população civil e da devastação em proporções apocalípticas no Golfo Pérsico não foram exibidas nos EUA. É provável que você consiga mais informações sobre o que se passa nos EUA em jornais europeus do que norte-americanos. (...) Isso tudo é um sinal de colapso, de uma cirrose mental, acho. Os jovens de hoje não sabem o que significa a velha liberdade, e isso é triste”.

 

Ginsberg se refere aos EUA e ao contexto da Guerra do Golfo Pérsico (no começo dos anos 90). Terrível é saber que as coisas pioraram ainda mais de lá pra cá. E que os argumentos vão se tornando cada vez mais hipócritas.

 

Quem estiver interessado no assunto, leia essa matéria:

 

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/ensino/conteudo.phtml?tl=1&id=896993&tit=Censura-a-livros-chega-ao-Parana

 

 

E assista esse vídeo-reportagem, dica do meu brother Cabeça (valeu, mano): 

 

http://www.youtube.com/watch?v=UqEimwCupsQ

 

http://www.youtube.com/watch?v=H_aV9-lo8Pw&NR=1

 

http://www.youtube.com/watch?v=mc3YR5614kg&feature=related

 

Isso é apenas a superfície. Mexendo no pântano, muitos outros animais peçonhentos vão emergir.



Escrito por ademir assunção às 14h02
[] [envie esta mensagem] [ ]



“CAÊ JÁ EMBOLSOU UM MILHÃO”

 

Título do ótimo texto do Jotabê Medeiros, um dos raríssimos jornalistas que têm coragem (e clareza) de mexer nessa cumbuca. É simplesmente indecente Caetano Veloso faturar dinheiro público para financiar suas turnês (ele se sustenta muito bem no “mercado”). Mas, como lembra Jotabê, Caetano não é o único. Por isso há muitos graúdos fazendo lobby contra as reformas da Lei Rouanet. Se liga - aqui.



Escrito por ademir assunção às 14h50
[] [envie esta mensagem] [ ]



VAMPIROS, POETAS E MÚSICOS

 

 

Antonio Thadeu Wojciechovski e Carlos Careqa: um encontro impagável e imperdível. Quem conhece os dois, sabe do que estou falando. Quem não conhece, vá ver e ouvir.

 

 

 

Sexta (19), sábado e domingo tem o show Alquimia Paulistana, com Edvaldo Santana, Dona Inah e Kabelo. Cada um faz sua parte e depois os três cantam juntos. Edvaldo vai aproveitar para gravar um cd ao vivo. Sexta e sábado, 21 h. Domingo, 19h. Ingressos a R$ 30 e R$ 15. Teatro Fecap: Av. da Liberdade, 532. Central de vendas: 2198-7719.

 

 

Domingo (21) tem stand-up com o poeta carioca Tavinho Paes na livraria Martins Fontes (Av. paulista, 509). 15 horas. Entrada franca.

 

 

E hoje (18) tem o lançamento da coletânea O Livro Vermelho dos Vampiros, organizado pelo ótimo escritor, poeta, tradutor e amigo Luiz Roberto Guedes. Com ilustrações de Manu Maltez. Na galeria B_arco (R. Dr. Virgilio de Carvalho, 426 – Pinheiros). A partir das 19h30. 



Escrito por ademir assunção às 13h29
[] [envie esta mensagem] [ ]



MUSA CHAPANDO NO MARANHÃO

 

Zema Ribeiro publicou uma resenha sobre A Musa Chapada no jornal O Estado do Maranhão, domingo passado. Foi uma das raríssimas que saíram na imprensa.

 

A propósito: há uma resenha sobre o livro parada no Estadão. Foi encomendada mas não publicada. Na Folha de São Paulo também não saiu absolutamente nada.

Gozado, né?

 

Ainda existem assuntos incômodos e linguagens dissidentes que simplesmente são varridas pra debaixo do tapete? Censura branca ou pura paranóia? Diga lá, Mister Jones.

 

A resenha do Zema:

 

POESIA CHAPADA EM LIVRO

Em A musa chapada, poemas de Ademir Assunção e Antonio Vicente Seraphim Pietroforte ilustrados por Carlos Carah apresentam novas possibilidades para a relação poesia e drogas.

POR ZEMA RIBEIRO*
ESPECIAL PARA O ALTERNATIVO

 
Não é novidade a relação entre literatura – ou mais especificamente poesia – e drogas. Não é fácil também criar algo novo nessa relação que não cheire – opa! – a apologia barata, as lições de moral da auto-ajuda ou umbiguismo autobiográfico (para o bem ou para o mal e, às vezes, também com lições de moral baratas).

Em A musa chapada [Demônio Negro, 2008, R$ 20,00 em http://www.sebodobac.com], o encontro dos poetas
Ademir Assunção e Antonio Vicente Seraphim Pietroforte e do desenhista Carlos Carah, expande – ops! – o entendimento que se tem sobre o que é “droga” – se à menção do termo você só pensa em maconha, cocaína, crack, merla, heroína, haxixe e similares, que tal acrescentar a TV e alguns de seus programas no drugs hall of fame (principalmente a fé vendida na tela)?: “no canto da sala a TV ligada/ o pastor gritava/ (...)/ o poeta pirava/ “meu deus como pode/ tanta merda enlatada?/ que gente mais troncha/ que vida fodida/ (...)/ o real é a ilusão virtual dos que batem a cara contra o muro””, rima Ademir Assunção em A volta do anjo torto, poema com referências explícitas a Torquato Neto e Raul Seixas, dois malucos geniais.

Dedicado “à memória de Sérgio Sampaio”, e trazendo Itamar Assumpção como epígrafe, o trio dA musa chapada está bem acompanhado. Seja pelos beats, referência obrigatória em se tratando do assunto – e influência confessa dos poetas e do desenhista –, seja pelas personagens que povoam o livro: Lili Maconha, Mister Morfina, a Senhora dos Sonhos, O anjo do ácido elétrico (título de poema de Ademir Assunção), Santa Maria Joana (idem), Johnny Walker e João Bafo de Onça, entre outros, além da música de Miles Davis.

O recado de Antonio Pietroforte é direto em Poligonia do soneto III: “quem diz que a droga mata anda errado/ tampouco, acerta aquele que comenta/ “usuário dá dinheiro a traficante,/ promove, com seu vício, a violência”/ prefiro dar dinheiro pra bandido/ que vende, honestamente, seu produto/ se pago imposto, não recebo nada/ sustento deputado vagabundo/ violenta é a fala da polícia/ que fuça, no meu bolso, feito rato,/ aumenta, com propina, seu salário;/ a erva que se fuma só acalma,/ trabalho mata mais do que cigarro,/ por isso que eu fumo pra caralho!”

Nem um nem outro – nem o desenhista – ligam para o que é (ou não) politicamente correto. Dão seus recados sem transformar sua obra num apático manifesto a favor ou contra nada – a legalização das drogas, por exemplo. O que os autores fazem é apresentar a realidade nua e crua – mesmo em poemas ficcionais –, a inegável realidade da São Paulo paisagem dA musa chapada – mas não pensem que é diferente em outros lugares do mundo, bem aí do seu lado deve ter uma boca de fumo, uma “filial” da cracolândia, lugares simplesmente feios e sujos para a maior parte dos olhares conservadores. A vantagem é que ninguém é obrigado a nada.

Entre o lirismo e a ironia, os poemas de Ademir Assunção e Vicente Pietroforte tão bem ilustrados pelas “lentes manuais” de Carlos Carah são verdadeiros clipes de uma sociedade onde puritanismo é (quase) sinônimo de hipocrisia e, num circo de vaidades, (quase) todos se preocupam somente em consumir (drogas, inclusive) e produzir (por obrigação), sem olhar para o lado (leia-se, para os problemas que as/nos rodeiam), obtendo um pseudoprazer que, infelizmente, por vezes as satisfaz. A musa chapada é um tapa seguro e sonoro nesse bom-mocismo, nesse conformismo. Vai encarar?

*ZEMA RIBEIRO escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com



Escrito por ademir assunção às 17h41
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ ver mensagens anteriores ]