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| ESPELUNCA - blogue de ademir assunção |
18 ANOS

Eu olhava para aquele pitoquinho de gente e pensava: e agora, o que eu vou dizer a ela? Quando ela entender a encrenca em que se meteu, o que eu vou dizer? Quando ela olhar bem pra mim e perguntar: “mas, então, quer dizer que você é meu pai”, o que eu vou dizer? 18 anos depois eu ainda não sei o que dizer. Até hoje eu não sei direito como um pai tem que se comportar – vou consultar os livros de etiqueta da Gloria Kalil (quem sabe eu encontre alguma diga). Mas eu preciso dizer alguma coisa. O quê? O quê? Sei lá: algo assim: bom, sorry, minha filha: quem sabe da próxima vez você tenha mais sorte. Feliz aniversário! PS: se precisar minha chupeta emprestada, eu empresto.
Escrito por ademir assunção às 14h30
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PAPOS DA NOITE Cheguei ontem a noite de Brasília e dei um pulo na Mercearia. Encontrei Marcelino Freire, Carlos Herculano, de Belo Horizonte, Fernando Ramos e Reginaldo Pujol, de Porto Alegre e uma pá de escritores que estão participando da Balada Literária. A certa hora o Carlos Herculano contou de um encontro entre escritores brasileiros, portugueses e africanos, do qual participou, aqui em São Paulo, nos anos 80. Num jantar no Largo do Arouche, depois de um dia inteiro de debates e leituras, um renomado poeta angolano, segundo ele um negão retinto, bonito, de quase 1 metro e 90 de altura, virou e disse: “Herculano, eu quero conhecer um travésti. Onde tem um travésti?”. Herculano não entendeu: “O quê? Um travesti?”. O poeta renomado confirmou: “É, um travésti. Uma mulher-homem”. Herculano, espantado, perguntou: “Ué, mas por quê? Em Angola não tem travesti?” E o poeta respondeu: “Não tem. O partido não permite”. ***** A balada continua hoje. Programação completa aqui. http://baladaliteraria.zip.net/index.html ***** Lembrando: amanhã (domingo) tem uma mesa com Fabiano dos Santos, do Ministério da Cultura, e Tadeu di Pietro, da Funarte. O Ministério já sacou que precisa criar políticas públicas não apenas para o livro e a leitura, mas também para a criação literária. E a Funarte, que tem seus departamentos de teatro, artes plásticas, música, etc, também está querendo estruturar um departamento de literatura. Isso pode dar frutos. Que tipo?: apoio para revistas literárias (aliás, tem um edital aberto para revistas, quem tiver interesse, confira no site do Ministério da Cultura), gravações de cds e cds rom, leituras, jornadas literárias, bolsas e uma porrada de outras coisas. E funcionários do próprio Ministério reconhecem que isso entrou na pauta devido às reivindicações e do barulho do Movimento Literatura Urgente. A mesa é às 16 horas, na Livraria da Vila. Ótima oportunidade para se informar sobre o que está rolando e começar a entender o que significa esse papo todo. ***** E hoje à noite tem lançamento de vários livros na Mercearia: SigniCidade, de Frederico Barbosa, Diário de Bordo, de Lieli Loures, Desacordo Ortográfico, antologia de contos organizada por Reginaldo Pujol Filho e a Antologia Tribêbada, da qual participo com um conto. Eis o trecho inicial: “Ontem matei a Gal Costa. Ela mereceu. Juro. Eu disse pra não cantar de novo na minha frente aquela merda de Tieta eta eta. Pedi, implorei de joelhos pra que cantasse Vapor Barato. Ela se fez de desentendida. Continuou com aquela droga de Tieta eta eta. Ah, o sangue subiu. Eu tinha avisado. Antes do segundo eta, descarreguei a automática na tela da TV. Eu gostava da Gal Costa, mas sempre preferi a Neusa Pinheiro. E aquela Tieta eta eta me irritou. Merda. Merda, merda, merda. Queria assistir a um especial sobre o Itamar Assumpção na Cultura e agora estou aqui na sala, um frio de rachar, nem uma gota sequer de Castell Chombert, a televisão arregaçada e, ainda por cima, a polícia a caminho. Vou alegar legítima defesa. Se me prenderem e me torturarem, saio do xadrez ainda pior. Vai ter neguinho querendo faturar meu fiofó, porrada depois de cada rebelião, os malucos do PCC trucidando a bandidagem do Comando Vermelho, um saco. Além disso, o Estado vai gastar a maior grana comigo. Pense bem: é negócio? Num ambiente desses, acabo virando um bicho, sanguinário, impiedoso, cruel mesmo. Estou avisando: se fizerem comigo o mesmo que fizeram com Myke Tyson, aí fudeu. Não pensem que vou me contentar em arrancar só uma orelha do Holyfield. Decepo logo as duas e como ali mesmo, no ringue. Sem catchup. (Quero transmissão mundial, via satélite.) Convoco todos os espíritos do mal, me torno um matador implacável. Perigas imitar o Hannibal, do Silêncio dos Inocentes, e passar a comer minhas vítimas. Querem ver o que é uma matança de verdade? Fiquem ligados. É promessa, podem cobrar. Compromisso assumido: saio da cana e no mesmo dia mato o Zezé di Camargo, a Carla Perez, o Kid Abelha inteiro e todos os pagodeiros, especialmente os que usam topete tingido.”
Escrito por ademir assunção às 15h06
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EM DEZEMBRO TEM BLINDAGEM EM SÃO PAULO
 Essa é uma das notícias que me enchem de alegria. Queria muito, desde o início, que a lendária banda Blindagem, de Curitiba, estivesse nas homenagens a Paulo Leminski. E o pessoal do Sesc Consolação topou a parada. Em primeira mão, aqui nessa espelunca: Blindagem vai se apresentar no hall de convivência, no dia 10 de dezembro. Quem curte rock’n’roll sabe quem é Blindagem. Quem nunca ouviu, dê uma bicada aqui. Agora as homenagens estão completas. 


E a instalação com poemas de Leminski em vários locais do edifício do Sesc Consolação prossegue até o dia 19 de dezembro. Quem quiser ver, chega lá.
 Poemas de Leminski no elevador do Sesc
Escrito por ademir assunção às 21h55
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CHEGA DE CONVERSA MOLE, LUZIA
 Fotos de Juvenal Pereira Foi um dos melhores shows que vi nos últimos 5 anos. Daqueles que nos lembram que tudo o que a gente tem que fazer é seguir em frente sem dar bola para os cantos de sereia e sem sair da estrada, por mais que nos tentem jogar para o acostamento. A banda Isca de Polícia tocou todos os maiores e maravilhosos não-sucessos de Itamar Assumpção: “Fico Louco”, “Nego Dito”, “Sampa Midnight”, “Batuque”, “Luzia”, “Se eu Fiz Tudo”, “Embalos”, “Dor Elegante” (parceria com Leminski), “Beijo na Boca”, “Negra Melodia” (Macalé e Waly Salomão). Luiz Chagas (guitarra), Bocato (trombone), Paulinho Le Petit (baixo), Suzana Salles (voz), os integrantes originais, mais Vange Milliet (voz) entraram no palco pra “destrancar a porta a pontapé”, “arrancar o rabo de Satã” e mostrar pra quem quisesse ver (e ouvir) a força da música do Gigante Negão. Annelis Assumpção também meteu bronca (tem grande presença de palco). Celso Sim caiu de paraquedas (mas tudo bem). Faltou, claro, Denise Assumpção. E Gigante Brazyl, que já se foi. Mas os que estiveram no palco deixaram a platéia (teatro lotado até as tampas) chapada. Quem não viu não faz idéia do que perdeu. Por mais que a cega e vingativa indústria musical tenha tentado sonegar a linguagem de Itamar para o público brasileiro, não tem jeito, tá ligado?

Vange e Bocato xamando o santo
Até agora eu estou relembrando os versos cortantes de Itamar: “chega de conversa mole, Luzia / se não eu vou desconcertar a sua fisionomia / você quer harmonia mas que harmonia é essa / só me enche o saco (só chia só chia) / me obriga à mais cruel solução / desço pro porão da vil covardia / mas te meto a mão” (Luzia); “girei esse tempo todo / batendo de porta em porta / à procura de um abrigo / um apego um horizonte / tentando de cabo a rabo / são paulo de ponta a ponta / na batalha de sossego / alivio ou mesmo a morte” (Embalos); “Sampa midnight / eu assessorado de mais dois chegados / Bartolomeu, Ptolomeu / partimos pra comemorar / não lembro o que / numa boa boate / escabrosa noite / deu blackout na Paulista / breu no Trianon / cadê o vão do museu / sumiu, meu deus do céu / que escuridão / três seres transparentes baixaram não sei de onde / imobilizando a gente e gritando / não somos gente / brilhavam, não tinham dentes / traziam cortantes tridentes, incandescentes / nas frontes, três chifres / falavam rapidamente com gestos intermitentes / simultaneamente, sons estridentes incríveis / Sampa midnight / eu chumbado com mais dois embriagados / Bartolomeu, Ptolomeu / quisemos levá-los prum bar / mas qual o que / tomamos cheque-mate / tenebrosa noite faltou light na Paulista / breu no Trianon, cadê a Consolação / escureceu, onde está o chão / um trio intrigante / desceu do céu num instante / chegou intimando a gente e berrando / não somos gente / cantaram de trás pra diante / letras fortes, indecentes / músicas bem excitantes / provocantes rumbas funks / cantaram de trás pra frente / uns reggaes de breque chiques / bastante pique, sambas de roda chocantes” (Sampa Midnight). E as comemorações dos 30 anos do teatro Lira Paulistana prosseguem hoje com Língua de Trapo e Premeditando o Breque, com ingressos já esgotados. Itamar é outra estória, mas se baixar o mesmo espírito de ontem, o bicho vai pegar de novo. É claro que eu vou pra lá.
Escrito por ademir assunção às 18h16
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DELIRANTE
Hoje começa uma série de shows em comemoração aos 30 anos do mitológico Lira Paulistana, o teatrinho de Pinheiros onde borbulhou um dos movimentos de grande impacto na música brasileira, no final dos anos 70 começo dos 80. É um período que ainda precisa ser revisto e ouvido. De um lado, Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé atacando a música brasileira com atonalismo, monstros mutantes e perigosos bandos marginais. De outro, o punk rock aumentando o volume do amplificador e pintando de preto a asa da graúna. Pena que Itamar não esteja mais por aqui. Seria figura obrigatória. Mas Arrigo está. Mesmo sem nunca ter se apresentado no Lira, também é figura obrigatória. Tomara que encha de gente. Tomara que a rapaziada venha com força total.

BALADA Na quinta-feira começa a terceira edição da Balada Literária, organizada por Marcelino Freire. O escritor homenageado deste ano é João Silvério Trevisan. Tem shows, leituras e debates com um montão de escritores, poetas, críticos e baladeiros. No domingo, tem uma mesa com Fabiano dos Santos (do Ministério da Cultura) e Tadeu di Pietro (da Funarte) sobre políticas públicas para a criação literária. Da maior importância. Programação completa da balada aqui. TRÊBADOS
 No sábado tem o lançamento da antologia Tribêbada, do selo Dulcinéia Catadora, com contos borrachos deste espelunqueiro, Ana D’Angelo, Bruna Beber, Emilio Fraia, Marcelo Montenegro e Maria Alzira Brum. Na Mercearia São Pedro, a partir das 21 horas.
Escrito por ademir assunção às 00h27
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QUINTANA
“Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu.”
“Pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem, eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas. Aí vai: estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto.” “Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura.” “Poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz.” Mario Quintana Em 1984 eu entrevistei Quintana em Porto Alegre (o texto também está em um dos dois volumes que resumem meus 25 anos de jornalismo profissional - e que já foram recusados por mais de 15 editoras, inclusive a editora Globo, detentora da obra de Quintana). A conversa foi em duas etapas: uma em um banco da Praça da Alfândega, outra no quarto do Hotel Royal, cedido pelo jogador Falcão (ele mesmo, o atual comentarista da Globo). Quintana havia sido despejado do Hotel Majestic, onde morara durante 12 anos, por falta de pagamento. Ele apoiara a greve dos jornalistas de 1980 e foi demitido do Correio do Povo. Hoje, o antigo hotel chama-se Casa de Cultura Mario Quintana.
Escrito por ademir assunção às 23h26
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POR HOJE É SÓ o melhor lugar do mundo é dentro de você em qualquer lugar
Escrito por ademir assunção às 14h51
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DUPLO Eu não existe. Eu não é um outro. Ninguém inventou a modernidade. Nem Rimbaud, nem Whitman, nem o Batman. Eu adorava quando você me pedia pra segurá-la pela cintura e puxá-la bem forte. Golfinhos saltavam na maré da pele branca. A modernidade é uma garota de lábios carnudos chupando um sorvete de pistache. Eu não vou entregar todos os segredos. As obscenidades sussurradas no ouvido. As flores vermelhas que foram pro lixo. Os cortes nos braços serão minhas cicatrizes. Vão se apagar. Mas lembrarei delas. Uma por uma. Na próxima vez que me ver no bar me ofereça ao menos uma dose de uísque. Duplo. um poema inédito
Escrito por ademir assunção às 12h24
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A SINFONIA DOS DIAS

As coisas por aqui prosseguem. Hoje Neuza Pinheiro canta suas parcerias com Paulo Leminski no show Profissão de Febre. Faz parte da programação do Que Viva Leminski!, no Sesc Consolação. Não perca. Não perca mesmo.
Escrito por ademir assunção às 11h23
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WALDIR
 Que os amigos não fiquem putos com essa foto. É assim que eu prefiro lembrar do Waldir. Se divertindo, numa festa de aniversário.
Algumas pessoas são boas. Radicalmente boas. Pessoas que não fazem o mínimo esforço para serem boas. São, simplesmente, e pronto. Waldir Aguiar era uma dessas pessoas. Nunca vi ele falar mal de quem quer que fosse. Não conheço um vivente que não gostasse dele. Nunca vi o Waldir reclamar de nada. Tinha uma bondade e uma paciência que jamais vi igual. E não levava uma vida fácil. Tinha suas dores profundas. Amigos mais próximos sabiam de algumas delas. Mas Waldir não falava. O máximo que ele podia falar de alguém é algo do tipo: fulano é um mala. E só. Não tinha tempo quente pra ele. Quantas e quantas vezes, de madrugada, insisti pra ele dormir em casa. Que nada. Ele pegava o ônibus e se mandava, no meio da madrugada, pra São Miguel Paulista, longe pra dedéu. Estava sempre com o Edvaldo Santana. Era o produtor, o braço direito do Edvaldo. Um irmão do Edvaldo. Sempre com um alto astral. Ultimamente achava que ele estava meio calado. Mas ele não reclamava de nada. Absolutamente nada. Eu gostava de brincar com ele. Tem uma música bonita do Edvaldo com um refrão assim: “Quem é / que não quer ser feliz / e andar por aí / desencanado”. Eu brincava cantando o refrão de outro jeito: “Quem é / que não quer ser o Waldir / e andar por aí / com o celular desligado”. Lembro lá nos anos 80, quando ligava pra ele, em São Miguel Paulista, procurando o Edvaldo, e o único contato que eu tinha era de uma padaria, eu ligava lá e o funcionário da padoca sempre dizia: “espera aí que eu vou ver se ele está no escritório”. O escritório era uma banca do bicho, que ficava em frente à padaria. Quando ele atendia, eu zoava: “E aí, Waldir, como é que está o escritório hoje?” Ele ria. Não se preocupava com nada. Waldir acreditava em reencarnação. Há uns dois ou três meses fui fazer um show no Sesc de São José dos Campos. Levei ele junto pra fazer a produção. Eu, Madan e Watanabe fomos e voltamos zoando com ele. Eu dizia pra ele que não acreditava em reencarnação, essas coisas, e que tinha muita preguiça pra voltar pra esse mundo. Waldir só respondia, sempre rindo: “mas vai voltar”. Eu brincava: “pô, Waldir, você que conhece o chefão, fala pra ele que eu não quero voltar, não”. Waldir jamais alterava o tom da voz. Levava na brincadeira. Eu acabei de voltar do sepultamento dele lá em Guaianases, fundão da zona leste. Foi estranho, muito estranho, ver o Waldir ali, dentro daquele esquife, imóvel. Foi triste ver a tristeza do Edvaldo. Saí do cemitério pensando na vida e no quanto nos sustentamos num fio muito fino. Muito fino. Mas se as convicções do Waldir estiverem certas, não tenho a menor dúvida de que ele está numa boa, em algum lugar por aí. Porque se Waldir, com toda a bondade, não estiver numa boa, meu chapa, ninguém estará. Brother: “se houver céu depois da terra”, como cantava Leminski, a gente vai se encontrar. Você vai fazer falta por aqui. Já está fazendo. Bom descanso, Waldir.
Escrito por ademir assunção às 19h07
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ALGUMAS ANOTAÇÕES ENCONTRADAS EM ANTIGAS CADERNETAS

Tenho cerca de 30 cadernetas com anotações, que vêm desde a década de 80. Tem de tudo: rascunhos de poemas (muitos), de peças teatrais que nunca foram escritas, fragmentos de diários, estudos, observações sobre jornalismo, literatura, zen, sexo, amor e mais uma porrada de coisas. Ontem estava arrumando caixas e encontrei todas essas cadernetas. Passei o dia relendo e ouvindo música. Saquei alguns fios da meada que perdi ao longo do caminho. Lembrei que eu era tão angustiado quanto agora, mas era mais irônico e alegre. E separei algumas anotações esparsas para esta espelunca: ***** Abaixo a rima rica e a idéia pobre. (1988) ***** A atriz judia voltou de Nova Iorque. Trouxe discos do Zappa. Para demonstrar minha gratidão quis papá-la. Armei o circo. Ela fez cu doce. Pressinto terremotos sentimentais. (1988) ***** Claro, Creusa: como jornalista, me considero um sabotador. Com uma longa lista de sabotagens contra a diluição, o entorpecimento e o conformismo disseminados pela mídia. Sou um dissidente. É óbvio que vão tentar dificultar ao máximo minha movimentação (1990, + ou -) ***** Dogen: “A flor cai, mesmo que a amemos, e a erva daninha cresce, mesmo que a desprezemos”. Shunryu Suzuki: “A verdadeira mente é a mente observadora”. Bodhidharma: “Para ver um peixe, você tem que observar a água”. ***** limpeza toda dia passar na alma o perfume da vida e ir passando ***** Conversa com meu filho Yan (21/11/1997): — Por que o Batman usa máscara? — Porque ele tem piolho. — Quem é o Robin? — Ele é superherói. — E o que é superherói? — Superherói é o Beethoven. — Quem é o Beethoven? — É aquele que tem uma coleira. — Ele é um cachorro? — É. E ele fala.
Escrito por ademir assunção às 01h10
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BUNDAS FOREVER

De uns escritos de José Agrippino de Paula, encontrados numa pasta verde, neste domingo nublado (trilha sonora: Bill Fay): 1) “... a bunda foi sempre de todos os tempos o melhor anticoncepcional que a humanidade conheceu.” Have a good sunday bloody sunday.
Escrito por ademir assunção às 14h31
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DISTRAÍDOS VENCEREMOS HOJE
Neste sábado (7) tem reprise do pockett-espetáculo Distraídos Venceremos. Poemas do Paulo Leminski por Alice Ruiz, Áurea Leminski, Mário Bortolotto e eu. Iluminação e sonoplastia de Marcelo Montenegro. Projeções de Robson Timóteo. Às 20 horas no Sesc Consolação (Espaço Beta - 3o. andar), Rua. Dr. Vila Nova, 245. É grátis.
Escrito por ademir assunção às 09h22
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IMAGENS DA MONTAGEM dos poemas de Leminski no Sesc Consolação, anteontem de madrugada:
 Flávia, Luiz (ambos do Sesc) e este espelunqueiro no elevador-Catatau
Miguel Paladino (o diretor de arte) ensaiando um pádedê de tanta felicidade
Pra cima com a viga, moçada!
 Tapete de haicais
 Banner gigante na quadra de esportes
Escrito por ademir assunção às 14h04
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BREGANEJO BLUES NA HQ MIX
 Ontem, Reuben da Cunha Rocha me deu um exemplar. Dei uma passada de olhos e li o primeiro capítulo. É daqueles livros que têm narração paralela, com incorporação de anúncios antigos e quadrinhos do Tex (como nos livros de Valêncio Xavier - até que enfim! Esse mar de literatura naturalista já está dando no saco). E tudo indica que se trata de uma tremenda espinafrada: os cantores de uma dupla breganeja falida resolvem que um deles tem que morrer, para que o outro volte a fazer sucesso. O que resolve morrer é o cantor viado que tem uma mulher de fachada, que é comida pelo outro cantor, que também come o parceiro de dupla de vez em quando. Só que o breganejo morto não morre. Na verdade ele se esconde em São Luiz do Maranhão, faz uma cirurgia de mudança de sexo e se lança como cantora em carreira solo. O título de dois capítulos: “03. já repararam como todas as mulheres do rei morreram de câncer?”; “05. o que levaria alguém a não querer comer a sandy?”. Só li o primeiro capítulo, mas parece que vem chumbo grosso por aí.
Escrito por ademir assunção às 13h37
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